O quarto, à primeira vista, parecia bastante comum, mas sobre a cama estavam espalhados vários brinquedos sexuais de tamanhos diferentes.
A banheira ficava ao lado da cama, e ao redor haviam vários espelhos de bronze.
Perto da janela havia um banco comprido, com formato humano.
O dono, percebendo que eles não estavam sorrindo, se apressou a perguntar:
— Posso saber se vocês não estão satisfeitos? Esse quarto está sempre em alta demanda!
Mateus respondeu em voz firme:
— Estamos satisfeitos.
Em seguida, fez um gesto para que Jorge entregasse o dinheiro.
O dono, então, não levantou mais suspeitas.
Quando Mateus entrou no quarto, Íris seguiu ele com o coração tranquilo.
Ela instintivamente apagou o incenso aceso sobre a mesa. Ao perceber que Mateus a observava, manteve a expressão calma e disse:
— O meu irmão disse que muitas casas suspeitas usam perfumes para enganar.
Mateus, indiferente, apenas olhou ao redor para inspecionar.
De repente, Íris o empurrou:
— Cuidado!
Uma pequena porta secreta apareceu na parede, como se tivesse sido lançada como uma flecha.
Eles trocaram um olhar, e Mateus deu um passo à frente.
Para surpresa de Íris, o compartimento escondia pinturas eróticas feitas por artistas populares.
Após subir ao trono, Mateus implementou leis rigorosas, e aquele tipo de coisa havia sido proibido.
Para escapar da fiscalização, algumas hospedarias escondiam aqueles itens em compartimentos secretos.
Íris ficou um pouco afastada, curiosa, quando Mateus fechou rapidamente a porta secreta e disse, com o rosto sério:
— Não tem nada aí dentro.
Íris não suspeitou de nada.
No final de setembro, o clima começou a esfriar.
Mateus cedeu o quarto para Íris e foi para outro lugar, sem voltar a noite inteira.
Ela não se importava para onde ele tinha ido, mas mesmo sozinha no quarto, permaneceu alerta e não conseguiu dormir profundamente.
Na manhã seguinte, Mateus saiu do quarto de Jorge. Jorge, por sua vez, parecia exausto, com olheiras profundas.
Íris abriu a porta e viu a cena, seus olhos demonstraram um leve espanto.
“Talvez o Imperador não seja incapaz, mas apenas não tenha jeito com mulheres?”, pensou ela.
Mateus claramente não percebeu o que ela pensava.
Depois de tomarem o café da manhã, seguiram viagem.
Da capital até Ynara, levava cerca de dez dias de jornada.
Durante o caminho, Íris deixava pequenas marcas para que Ulisses pudesse encontrar ela.
À noite, Mateus sempre ia ao quarto de Jorge.
Assim, rapidamente chegaram a Ynara.
Ao entrarem na cidade, perceberam que algumas pessoas os seguiam discretamente.
Íris percebeu, e imaginou que Mateus também estivesse atento.
Ela fingiu não notar, olhando ao redor como se nada tivesse acontecido.
A cidade de Ynara realmente tinha um ar estranho, até o vento parecia mais frio.
Mas, daquela vez, Íris não tinha intenção de se envolver em nada daquilo.
Quanto às investigações, naturalmente Mateus e os outros cuidariam de tudo.
Quando a Dama Imperial Suzana o drogou e ele sentiu o toque dela.
Na última vez em que ela o curou do veneno das Águas Celestes, ele ficou confuso por causa da aplicação das agulhas dela.
Na noite do Festival da Lua, quando ela se feriu, ele cuidou do ferimento e tirou suas roupas com as próprias mãos.
E até os sonhos estranhos que se seguiram...
Sua respiração ficou ligeiramente ofegante. Ele se forçou a parar aqueles pensamentos desordenados, se virou de lado, de costas para ela, e só assim conseguiu se acalmar um pouco.
...
No dia seguinte, Íris acordou cedo e viu Mateus parado junto à janela, parecendo de bom humor enquanto observava o nascer do sol.
Mal sabia ela que ele não tinha dormido a noite inteira, ora meditando, ora apenas olhando a paisagem noturna pela janela.
...
Pela manhã, os dois seguiram de carroça para o Monte Celestial.
Jorge fingia ser um cocheiro comum.
Para evitar chamar atenção de possíveis ladrões escondidos, não levaram outros guardas.
A estrada da montanha era estreita e cheia de curvas, permitindo a passagem de apenas uma carroça por vez. Em trechos mais acidentados, o coração disparava de tensão.
Mesmo assim, os dois dentro da carroça mantinham a calma, sem demonstrar medo.
No meio do caminho, Íris sentiu algo estranho, seu rosto se tencionou.
Na mesma hora, Mateus percebeu o movimento suspeito do lado de fora e levantou a cortina da carroça...
Com um estrondo, uma enorme pedra rolou de cima em um instante, bloqueando a estrada.
Logo em seguida, outra pedra caiu com precisão em direção à carroça.
Jorge largou as rédeas, sacou a espada e gritou:
— Saiam da carroça, rápido!

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