Com o ambiente carregado pela tensão e os nervos inflamados, tudo indicava que os dois homens se atacariam a qualquer momento, mas Thalassa, determinada a evitar o choque, reagiu de imediato e se colocou diante deles.
— O que está acontecendo aqui? — Exigiu, lançando um olhar de cobrança para Kris.
— Por que não pergunta para aquele sujeito? — Zombou Kris, erguendo o buquê de lírios cor-de-rosa. — Ele não se contenta em controlar a vida da própria irmã, agora também acha que tem o direito de decidir por você.
Thalassa franziu o cenho, confusa. Então, virou-se para Zeke.
— Do que ele está falando?
A culpa se misturava à raiva no rosto de Zeke, mas ele não respondeu.
— O quê? O gato comeu a sua língua? — Kris riu com escárnio. — Se você não vai contar, eu conto. Thalassa, enviei flores para você, mas esse idiota mandou o entregador embora e ainda ameaçou chamar a segurança, jurando que agia a seu pedido.
No fundo, ele sentia-se grato por ter ficado no carro após mandar o entregador.
Thalassa, tomada pela surpresa, encarou Zeke com firmeza, dando-lhe a oportunidade de se defender, mas ele permaneceu em silêncio, e a expressão de culpa em seu rosto acabou o entregando.
Diante da situação, ela fez uma nota mental para falar com ele mais tarde. No entanto, por ora, não permitiria que Kris se sentisse validado.
Assim, ergueu o rosto na direção dele.
— E daí?
Kris se deteve.
— "E daí"? Ele passou por cima de você, controlando suas escolhas e dispensando as flores sem a sua permissão!
— Isso aconteceu porque ele sabe que não desejo receber nada de você, nem presentes nem qualquer outra oferta.
Kris a encarou, incrédulo.
— Só para me provocar, você vai mesmo deixar que ele decida por você?
— Neste caso, e em tudo que envolva você, sim. — Declarou, com um olhar frio surgindo em seus olhos. — Ao mandar essas flores, o que pensou que aconteceria? Que eu simplesmente as aceitaria, mesmo depois de dizer claramente que não quero nada com você?
Ela soltou uma risada de desprezo.
— Sinta-se sortudo por Zeke ter dispensado as flores, porque, se tivessem chegado até mim, eu mesma as teria destruído e jogado dentro do vaso sanitário.E que desperdício de dinheiro seria, não acha?
A frieza e o desprezo refletidos nos olhos dela atingiram Kris em cheio, penetrando em sua pele como agulhas afiadas.
— Thalassa... — Tentou se expressar, mas a voz soou pesada, acompanhada do passo que deu à frente.
— Vá embora, Kris. Você não é bem-vindo aqui.
Assim que percebeu Thalassa tomar o seu partido, Zeke recuperou a confiança e avançou, sibilando:
— Você ouviu. Saia daqui, ou eu mesmo vou te jogar para fora!
Ele teve a audácia de empurrar o peito de Kris, que, furioso, o empurrou de volta.
— Não ouse colocar a mão em mim de novo! — Advertiu.
— Ou o quê? O que você vai fazer, hein? — Desafiou Zeke, mas antes que as coisas piorassem, outra voz surgiu atrás deles.
— Lassa, você... Você jogou minhas flores no lixo?
— Independentemente do que tenha imaginado, você não devia ter feito nada sem antes me consultar. — Repreendeu Thalassa.
A alegria que Kris sentiu ao ouvir que não havia nada entre ela e Clark foi imensa, mas, ao mesmo tempo, a amargura apertou seu peito. Ela não o havia repreendido quando soubera que Zeke mandara embora suas flores, mas agora o estava questionando por causa das flores de Clark.
— Você não disse nada quando ele se livrou das minhas flores… — Não conseguiu evitar dizer.
Imediatamente, o rosto de Clark se contorceu em fúria, lançando a Kris um olhar incrédulo.
— Você também mandou flores? Mas que merda, cara? Não sente vergonha depois de tudo o que você e sua família fizeram com ela?
As vozes ecoavam tão alto que atraíram modelos e funcionários para fora de suas salas, e Thalassa, pressionando as têmporas, percebeu a dor de cabeça se instalar.
— Não fale do que você não sabe! — Rosnou Kris.
Clark zombou.
— Sei o bastante: Thalassa confiou em você, te amou de verdade, mas você tratou esses sentimentos como algo descartável.
— Exatamente. — Reforçou Zeke. — Por isso mesmo vocês não têm o direito de mandar flores para ela…
— Ninguém pediu sua opinião. — Retrucaram Clark e Kris, em uníssono.
Os três permaneceram frente a frente, respirando pesadamente, parecendo prontos para trocar socos, até que Thalassa não aguentou mais.
— Chega! — Gritou, ofegante de irritação. — Não ousem discutir a meu respeito como se eu não estivesse presente. Sou eu quem toma minhas decisões, e a decisão deste instante é clara: não quero nenhum de vocês por aqui!
Enfurecida, voltou para seu escritório e bateu a porta com força, deixando os três homens parados diante dela, atônitos.

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