Clark soltou uma risada fria.
— Fiquem à vontade para investigar, mas não esperem descobrir nada… Até porque eu não sou idiota!
Os olhos de Thalassa se estreitaram, e sua voz cortou o ambiente como gelo.
— Então é verdade. Aquela história que você me contou sobre as mulheres por quem teria "se apaixonado" e que supostamente se mataram... Era toda uma mentira, não era? Elas nunca cometeram suicídio. Você as matou para ficar com a fortuna delas!
Clark bufou, revirando os olhos.
— Pobrezinhas... Não precisei matar nenhuma delas. Já estavam quebradas por dentro, tão cheias de perturbações, que bastou um empurrão para o abismo. Assim, engoliram os comprimidos como se fosse a única saída.
Embora mantivesse o rosto composto, Thalassa sentiu uma onda de náusea revirar seu estômago, porque não conseguia acreditar que havia permitido que alguém como ele se aproximasse tanto. A voz dele não carregava emoção alguma, como se induzir alguém ao suicídio fosse algo banal.
— Era isso que você planejava fazer comigo? — Perguntou com calma. — Casar comigo ou me fazer assinar a transferência da minha herança, para depois me levar ao ponto de me matar?
Clark balançou a cabeça com um sorriso tênue.
— Não, claro que não. Você não é como elas. Eu realmente me vejo passando o resto da vida com você, porque você é diferente... Você é especial.
— "Se vê"? — Thalassa quase riu da forma como ele falava, como se ainda houvesse futuro entre eles. — Só alguém tão perturbado quanto elas poderia pensar que eu ficaria com você depois de tudo o que eu descobri... E, principalmente, depois do que tentou fazer com a minha melhor amiga.
A expressão de Clark se obscureceu, e o olhar dele se endureceu.
— Seja de bom grado ou à força, não importa. Eu vou ter você de qualquer maneira, Thalassa.
Ele começou a avançar, mas Thalassa o advertiu:
— Não ouse dar outro passo, Clark, ou não me deixará escolha a não ser atirar.
Durante alguns segundos, o silêncio pesado se traduziu em pura tensão entre os dois, até que ele quebrou o impasse com um sorriso confiante nos lábios.
— Cuidado com isso, Lassa. Você está segurando algo que não é um brinquedo, e duvido que saiba realmente como usar.
Ele investiu contra ela, só que, antes de conseguir tocá-la, Thalassa apontou a arma para a coxa dele e atirou. O estampido tomou o ambiente, arrancando de Clark um grito agudo de dor.
— Você atirou em mim! Filha da puta, você atirou em mim! — Ele sibilou entre os dentes cerrados, contorcendo-se, como se não acreditasse que ela realmente tivesse feito isso.
— Eu te avisei. — Declarou Thalassa, com a voz firme e o olhar frio. — Dentro de instantes a polícia vai estar aqui. Pode se preparar para passar o resto da vida atrás das grades, Clark.
Ele manteve os dentes travados, e a fúria que o devorava se refletiu intensamente em seu olhar.
— Nunca! — Rosnou, forçando-se a ficar de pé enquanto o sangue encharcava sua calça e pingava sobre o piso branco impecável. — Não pense que terminou. Eu vou fazer você se arrepender profundamente!
Com passos trôpegos rumo à porta, acelerou o quanto conseguiu, obcecado em alcançar o carro antes da polícia, sem perceber que a sorte já não estava ao seu lado…
Assim que colocou os pés do lado de fora, luzes intensas o cegaram, e a voz firme de um policial ecoou em comando:
— Pare aí mesmo e levante as mãos! Você está preso.

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