Estava claro para Clark que não havia saída: três carros da polícia e pelo menos seis oficiais bloqueavam sua frente, além da presença incômoda de Kris, Alden, Luisa e Zeke.
Então, os olhos dele vasculharam cada direção, e a ideia de correr pelos fundos da casa lhe pareceu uma chance de escalar o muro e fugir. No entanto, antes mesmo de mover o primeiro passo, um dos oficiais o advertiu:
— Nem pense nisso, senhor, ou seremos obrigados a atirar.
Clark congelou ao perceber que o policial não estava blefando e, por isso, entendeu que seria um idiota se tentasse fugir, já que a coxa ferida não lhe permitiria chegar longe. Estava fodido por enquanto, embora ainda não se considerasse derrotado de vez.
Em seguida, três policiais se aproximaram e o cercaram por ambos os lados até finalmente o alcançarem e, mesmo que ele não tenha demonstrado resistência, um deles varreu-lhe as pernas, de modo que despencou com violência sobre o chão áspero e pedregoso.
A dor atravessou sua coxa de forma lancinante e, mesmo que o impulso fosse soltar um grito, ele o conteve, já que não suportava a ideia de dar-lhes esse prazer, ficando imóvel enquanto o algemavam pelas costas.
Assim que terminaram de submetê-lo àquela brutalidade, os policiais o ergueram sem nenhuma delicadeza e o encaminharam mancando até uma das viaturas.
Cheio de rancor, lançou um olhar sombrio para Luisa e, remoendo o ódio, perguntou a si mesmo: "Por que ela ainda estava viva? Por que, diabos, ela sobreviveu ao ataque?"
— Não ouse olhar para ela, seu desgraçado! — Alden cuspiu, avançando e desferindo um soco direto na boca de Clark. — Quem te autorizou a mandar aqueles homens atrás dela?
Um policial conteve Alden de imediato.
— O senhor não tem o menor direito de encostar um dedo nele, e essa atitude pode muito bem lhe render uma acusação de agressão.
— Agressão? — Zeke se impôs, deixando a fúria escorrer em cada palavra. — Esse verme tentou mandar matar a minha irmã! Ele é um criminoso!
— Ele é apenas um suspeito… — O policial lembrou. — Quem decide se ele é culpado ou não é o tribunal.
Mesmo sendo atacado por Alden e Zeke, Clark não desviou a atenção, pois o ódio que lhe queimava nos olhos estava reservado apenas para Kris.
— Não se iluda achando que venceu, Miller. Eu vou voltar…
O único pensamento de Kris naquele momento era a segurança de Thalassa… Por isso, suas narinas se abriram em tensão enquanto seus olhos faiscantes se cravavam em Clark.
— Torça para que a Thalassa esteja intacta, porque, se ela tiver se ferido por sua causa, a cadeia vai ser apenas um descanso perto do que eu mesmo vou fazer com você.
— Senhor, o senhor não pode fazer ameaças diante da lei... — Começou a falar um dos policiais, mas Kris não esperou ouvir o restante.
Ele avançou em direção à casa, acompanhado de Luisa, Alden, Zeke e dois oficiais. Ao chegarem à varanda, Luisa rapidamente trancou a porta.
— Meu Deus… — Ela arfou quando a porta se abriu, revelando um rastro de sangue.
Eles invadiram apressadamente, mas Kris foi o primeiro a chegar e encontrou Thalassa na sala, ainda com a arma levantada, a qual apenas abaixou ao perceber quem acabara de entrar.
Então, Kris, sem pensar duas vezes, segurou o rosto dela entre as mãos, e Thalassa se enrijeceu diante da intensidade do olhar aflito que ele lhe dirigiu.
— Lassa... Você está bem? Aquele desgraçado te machucou?
Ele quis abraçá-la, mas não queria manchar o vestido dela com seu sangue, além de temer que fosse afastado. No entanto, ela não recuou ao seu toque quando respondeu:
— Estou bem. Fui eu quem atirou nele.
— Ah, Lassa, estou tão aliviado por você estar bem… — Luisa disse, correndo para a frente.
Kris se forçou a soltar Thalassa para dar lugar ao abraço da melhor amiga e, ao recuar, sentiu a cabeça girar, mas ainda assim sustentou o corpo para não demonstrar fraqueza.
Thalassa reparou no sangue que encharcava a camisa dele, descendo do ombro até o peito, mas, quando tentou dizer algo, Luisa já havia se apressado em abraçá-la com força.


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