Na manhã seguinte, Kris despertou de um sono profundo e sem sonhos, percebendo de imediato que estava em uma cama desconhecida, enquanto o cheiro forte de desinfetante denunciava o óbvio: ele estava em um hospital.
Franzindo a testa, tentou se erguer, mas o fez rápido demais, de modo que uma pontada aguda percorreu o ombro. Foi então que notou o braço imobilizado numa tipoia e o fato de estar sem camisa.
A contração em sua expressão se acentuou quando constatou o quarto vazio, mas, assim que esse pensamento o atravessou, a porta rangeu e Alden surgiu, trazendo nas mãos um copo de café.
— Ah, você acordou! Graças a Deus! — Alden comentou em tom leve. — Por um momento, achei que você tinha entrado em coma e que caberia a mim a decisão de desligar os aparelhos…
Ele abriu um sorriso, deixando a porta escancarada atrás de si.
— E então, como está se sentindo, cara?
Kris fez uma careta.
— O que estou fazendo aqui? E por que meu braço está numa tipoia?
Alden tomou um gole demorado do café com o canudo antes de responder.
— Você desmaiou ontem à noite na casa da Thalassa, e eu tive que chamar a ambulância para te trazerem até aqui. Os médicos explicaram que o desmaio foi provocado pela perda de sangue. Felizmente, não era grave a ponto de precisar de transfusão, apenas de fluidos. Ah, e ainda fizeram uma cirurgia para retirar a bala, por isso está usando essa tipoia.
— Que merda… — Kris resmungou, mexendo o braço de leve.
— Bem, azar o seu. — Alden retrucou com um leve dar de ombros. — Os médicos falaram que o ombro precisa ficar imóvel por uma ou duas semanas para cicatrizar direito.
Kris franziu o cenho, irritado com a ideia de ficar incapacitado tanto tempo, mas outra dúvida lhe veio.
— Então foi você que me acompanhou até aqui?
— Sim.
— Só você?
— Sim. E, para constar, fiquei a noite inteira também. — Alden acrescentou, apontando para o pequeno sofá no canto.
Um suspiro escapou de Kris enquanto o peito se apertava, porque estava claro que Thalassa não teria se importado a ponto de aparecer…
Alden percebeu a alteração no semblante dele e arqueou uma sobrancelha.
— Espera aí, estou ouvindo decepção? Eu me espremi nesse sofá minúsculo a noite toda para ouvir você suspirando desse jeito? — Ele fingiu se irritar, mas logo abriu um sorriso. — Só para constar, a Thalassa também veio, se era isso que você queria saber.
Kris imediatamente se endireitou, o coração se acelerando
— Ela veio mesmo?
— Sim, já que não tinha lugar para todos na ambulância, ela e a Luisa vieram de carro.

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