O ambiente parecia suspenso por uma tensão palpável enquanto trabalhavam juntos na cozinha. Thalassa se ocupava em cortar os legumes, mantendo certa distância, ao passo que Kris lavava as batatas e as dispunha na tigela conforme ela mandava.
— Terminei. — Anunciou Kris depois de alguns minutos, desejando poder descascá-las sozinho, mas era impossível com apenas um braço livre.
— Pode me passar. — Respondeu Thalassa, com a voz ainda tão rígida quanto antes.
Assentindo, Kris pegou a tigela e estendeu para ela, que estava tão empenhada em evitar que suas mãos se tocassem que quase deixou a tigela cair.
— Cuidado! — Exclamou Kris, colocando a mão sob a dela para manter a tigela firme, sentindo-a se enrijecer ao toque.
A posição os aproximou, suas respirações se aceleraram e eles ficaram se encarando até Thalassa pigarrear, libertar a mão e colocar a tigela no balcão.
O restante do preparo aconteceu em silêncio, com Kris roubando olhares sempre que podia, absorvendo cada detalhe do rosto e do corpo dela, enquanto Thalassa se esforçava para evitar olhar para ele, mesmo quando precisava lhe dar instruções.
Quase uma hora depois, terminaram de cozinhar e montaram a mesa juntos. Nesse momento, Luisa chegou com os dois seguranças, cada um carregando várias sacolas de compras para a cozinha.
Assim que terminaram de guardar tudo, ela se juntou a eles.
— Uau! — Exclamou, observando os pratos. — Vocês dois formam uma dupla e tanto, hein?
O olhar irritado de Thalassa foi respondido por uma piscadela cúmplice de Luisa, gesto que aqueceu o coração de Kris. Ela podia ter dito que não se meteria, mas aquele simples movimento mostrava que o apoiava, e ele não pôde evitar se sentir grato.
Após o café, Kris precisou se recolher para descansar por causa do ferimento.
Mais tarde, Luisa foi chamá-lo para o almoço e, ao descerem, encontraram Thalassa já sentada à mesa. No entanto, como de costume, ela manteve o rosto impassível durante toda a refeição, ignorando todas as tentativas de Kris de puxar conversa.
E quando terminaram de comer, ela subiu direto para o quarto, deixando Luisa e Kris sozinhos.
— Kris, só para você saber, o Alden me chamou para jantar hoje à noite, então não estarei em casa. Mas deixei bastante comida pronta e guardei na geladeira… Você pode esquentar para o jantar se não se importar. — Avisou Luisa.
— Sem problemas. — Afirmou Kris, com a satisfação de quem via Alden finalmente conquistar a chance com Luisa, exatamente como ele sempre torcera.
“Pelo menos um deles estava avançando…” Pensou com um suspiro.
-
Naquela noite, Kris entrou no quarto após o banho, com o ar frio batendo contra a pele úmida enquanto enrolava a toalha na cintura e deixava o braço ferido pender mole ao lado do corpo.
Ele franziu o cenho ao ver a bandagem e a tipoia sobre a cama, pensando que tirá-las antes do banho não fora grande problema, mas colocá-las de volta era outra história.
Seu ombro doía demais para levantar o braço sozinho, e, embora Luisa tivesse o ajudado de manhã, agora que ela estava fora em seu encontro, ele estava por conta própria.
“Ou quase…”
Um sorriso maroto se formou em seus lábios, pois não tinha visto muito Thalassa durante o dia, já que ela passara a maior parte do tempo escondida no quarto.
Mas agora ele tinha a desculpa perfeita.



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