Zeke mal conseguiu conter a empolgação.
— Vai ficar esta noite? — Ele perguntou, e um sorriso satisfeito surgiu em seus lábios, porque Thalassa dormir ali significava mais tempo ao lado dele e menos tempo com Kris Miller.
Ao lado dela, o maxilar de Kris se contraiu ao perceber o sorriso de satisfação no rosto de Zeke. Ele sabia que, mesmo que Thalassa voltasse para casa com ele, ela só o trataria com frieza, mas ainda assim isso era melhor do que ela passar a noite na casa de um homem apaixonado por ela e que estava tentando conquistar seu afeto.
Então dando um passo à frente, ele falou:
— Thalassa, não há motivo para permanecermos aqui, já que o Alden se ofereceu para nos levar para casa.
Thalassa se virou devagar para ele, com uma expressão ilegível.
— Sim, eu sei, então você pode voltar com ele. — Ela fez uma pausa e os olhos se estreitaram levemente. — E Kris, você é apenas um hóspede na minha casa, então não chame de seu lar.
Ele sentiu as palavras como um tapa, com o ciúme e a frustração queimando em seu peito, mas compreendeu que a decisão dela já estava tomada. Nesse instante, Zeke aproveitou a brecha e estendeu a mão para Thalassa.
— Quer que eu te leve para o quarto? — Perguntou, com a satisfação evidente na voz.
Com os olhos faiscando como se fossem bombas prestes a explodir, Kris fitou a mão dele, mas Thalassa apenas moveu a cabeça em negação.
— Não, obrigada, vou dormir no quarto da Luisa.
Alden se animou.
— Thalassa, por favor, fala para a Luisa que eu não vou desistir e que amanhã vou ao escritório para conversar.
Zeke chegou a parecer pronto para socá-lo outra vez, mas Thalassa limitou-se a assentir, deixando que seus olhos se voltassem para o ombro de Kris. Embora Alden tivesse ajudado a trocar a camisa antes de chegarem, ela recordava claramente os pontos rompidos e o sangue, fruto do que ela mesma havia causado.
Assim que Alden começou a sair, Thalassa o chamou de repente:
— Alden?
Ele interrompeu o passo e se virou na direção dela, e logo Zeke e Kris acompanharam seu olhar, deixando-a constrangida, mas, mesmo assim, pigarreou e deu sequência ao que tinha a dizer:
— Por favor, leve-o ao hospital para verificar os pontos. Sei que ele não irá sozinho.
O coração de Kris se aqueceu ao perceber a preocupação nos olhos dela, mas, antes que respondesse, Thalassa se virou rapidamente e subiu as escadas. Ao chegar à porta do quarto de Luisa, bateu de leve e, poucos segundos depois, ouviu a voz dela do outro lado:
— Alden, me deixa em paz, por favor!
Thalassa girou a maçaneta e entrou.
— Sou eu…
Sentada na cama, Luisa ergueu o olhar e a expressão caiu levemente.
— Ah.
Thalassa ergueu uma sobrancelha.
— Você parece decepcionada por não ser o Alden.
— Não estou decepcionada, estou aliviada. — Luisa respondeu na defensiva.
Um sorriso divertido surgiu nos lábios de Thalassa, que se sentou ao lado dela.
— Se você diz.
— Mas… É a verdade! — Luisa murmurou, cruzando os braços no peito, aborrecida.
Thalassa a observou por um momento antes de comentar:
— Você não parece tão certa disso.
Luisa abriu a boca para negar, mas após alguns segundos suspirou pesadamente.
— Você realmente acredita que o Alden mentiu para você? — Com a voz suave, Thalassa fez a pergunta, e Luisa, em resposta, caiu de costas na cama, escondendo o rosto entre as mãos.
— Não sei dizer, Thalassa… Como não desconfiar quando a ex dele resolve aparecer para “reivindicá-lo” exatamente no dia em que o Alden me leva para a cobertura?
Sentando-se novamente, a voz de Luisa se tornou amarga.
— Você devia ter visto ela, Lassa, era linda… — O rosto dela se contraiu. — Aposto que ele também a chamava de “linda” ou “gatinha”.
— O fato de ela ser bonita não significa nada. — Thalassa afirmou com firmeza. — O que importa é o que Alden te disse… Ela faz parte do passado dele e o traiu, e o Kris confirmou isso no carro.
Diante da situação, o sorriso de Thalassa se desfez imediatamente.
— Luisa, a situação não é a mesma. O Alden nunca te feriu, talvez tudo não passe de um mal-entendido. Já o Kris... — A voz dela vacilou. — Ele me machucou, não confiou em mim, não me defendeu… Por isso, não tem o direito de aparecer dizendo que me quer de volta.
A súbita mudança no tom dela chamou a atenção de Luisa.
— O Kris falou que ainda te quer de volta? E o que você respondeu?
O rosto de Thalassa se endureceu.
— O que você acha que eu respondi? Disse que ele estava fora de si, é claro.
Mas a expressão dura vacilou por um instante, e Luisa percebeu.
— Aconteceu alguma coisa, não foi?
Ela hesitou antes de admitir, amarga:
— Eu… Eu quase deixei ele me beijar.
Luisa arregalou os olhos, tomada pela súbita compreensão.
— E agora você está com raiva de si mesma porque ainda sente algo por ele…
— O quê? Não! Como eu poderia ainda sentir algo por ele depois de tudo...
Luisa ergueu a mão, cortando-a.
— Quanto mais você se defende, mais tenho certeza de que estou certa.
O coração de Thalassa disparou, a respiração descontrolou, e foi então que, com as palavras de Luisa, a verdade que ela queria sufocar veio à tona:
— E daí? — Ela explodiu. — E se eu ainda sentir algo por ele? Trata-se só de emoções ridículas que não hesitarei em arrancar de mim!
A expressão de Luisa suavizou com compaixão.
— E se você não conseguir?

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