O rosto de Thalassa se contorceu de irritação quando ela pegou o celular sobre a mesa, pronta para discar o número de Kris e despejar nele todos os insultos que conseguia imaginar, mas se conteve.
Pois… Era exatamente isso que ele queria, que ela desbloqueasse o número e ligasse, mesmo que fosse apenas para xingá-lo. No entanto, ela não ia lhe dar esse prazer.
Colocando o celular de volta na mesa, ela se virou para o entregador.
— Devolva imediatamente. Seja qual for o valor prometido, minha secretária lhe dará o dobro. Isso deve ser o suficiente para encerrar qualquer entrega que venha da parte dele. Apenas volte com a resposta de que recusei, e não traga mais nada ao meu escritório.
Ela não conteve o sorriso de satisfação ao ver o entregador aceitar a oferta sem hesitar, mas deveria ter adivinhado que Kris encontraria outra saída. Na manhã seguinte, um envelope surgiu em seu escritório contendo um ingresso para “A Máscara de Zorro” e um bilhete anexo:
“Querida Lassa,
Nunca compreendi a sua obsessão por esse filme, mas vou suportar o “sacrifício” de assisti-lo outra vez só por você. Ele está em cartaz hoje à noite, então já garanti nossos ingressos. Passo aí às sete para buscá-la.
Kris.”
Thalassa não conseguiu se conter dessa vez, apertando o bilhete até amassá-lo na mão, ao passo que Luisa explodia em risos.
— Não tem graça! — Resmungou Thalassa entre dentes.
— Desculpa, mas é um pouco engraçado sim… — Luisa disse ainda rindo. — O que há de errado com ele? Acha mesmo que vai aparecer para buscá-la?
Thalassa se levantou e jogou o bilhete e o ingresso no lixo.
— Não, ele não teria coragem. Só está tentando me provocar para que eu ligue para ele, mas não vou deixá-lo me tirar do sério.
— Ah, um homem que a adora tanto a ponto de preferir sua raiva ao seu silêncio. Não é romântico?
Com um olhar afiado, ela encarou a amiga, mas a resposta morreu nos lábios quando bateram à porta e Juana apareceu, colocando a cabeça para dentro.
— Lassa, o Sr. Frey está aqui para vê-la. No entanto, ele não tem horário marcado. Devo deixá-lo entrar?
Os olhos de Luisa se escancararam em choque, quase saltando das órbitas, enquanto Thalassa seguiu tranquila, com o rosto inexpressivo.
O Sr. Frey, por sua vez, hesitou, confuso com a falta de reação dela.
— Não vai dizer nada?
— O senhor fez um bom trabalho, Sr. Frey. — Disse Thalassa pensativa. — No entanto, não posso utilizar essa informação. Mesmo que ela prejudique a imagem de Linda, acredito que não cabe a mim envergonhar mulheres por venderem seus corpos em função das circunstâncias. Fora que isso aconteceu há mais de trinta anos, então não há justificativa para uma prisão.
— Tem razão. — Ele concordou. — Ela não pode ser presa por ter sido prostituta. Mas pode ser processada pelo que fez durante e depois desse período.
O interesse de Thalassa foi despertado, fazendo ela se inclinar ligeiramente.
— O que quer dizer com isso?
— Durante o tempo em que exerceu essa “profissão”, um dos seus clientes era um homem envolvido com o submundo, lidando com tráfico de pessoas, drogas, e tudo mais que você possa imaginar. Ela aceitou trabalhar para ele, e suas funções incluíam vender drogas e atrair mulheres inocentes, fazendo-as acreditar que estavam conseguindo empregos respeitáveis, apenas para depois traficá-las para a prostituição.

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