As três mulheres encararam o advogado com ansiedade, aguardando a resposta à pergunta de Thalassa.
E, por fim, o Sr. Baelish balançou a cabeça.
— Não, não quero dizer que ela será solta. As provas que temos bastam para levar o caso ao tribunal, o que já causa prejuízo, mas ainda precisaremos de algo mais sólido para garantir a condenação. É necessário conectá-la diretamente aos crimes mais sérios: tráfico de drogas e tráfico humano... O que aconteceu com as provas citadas por você há dois dias?
A expressão de Thalassa se endureceu quando recordou a sensação de vazio ao encontrar o cofre aberto.
— Eu não sei como, mas a Linda descobriu o que eu estava planejando e mandou retirar as provas do cofre antes que eu chegasse até elas.
O advogado ergueu a sobrancelha.
— Mandou retirar?
— Sim. — Confirmou Thalassa, com a voz firme. — A forma apressada com que o cofre foi deixado aberto mostrava que quem retirou tudo não teve tempo a perder. As provas sumiram instantes antes de eu chegar, e Linda, que não saiu da festa no andar de baixo nem por um momento, não poderia ter sido a responsável. Nem a irmã ou a filha, Susan, já que também estavam presentes. Certamente, ela delegou a tarefa a outra pessoa.
O rosto de Rita perdeu o vigor, e os olhos se encheram de uma tristeza úmida. Então, fitando Thalassa, deixou escapar em tom baixo a pergunta:
— Você… Você acha que foi… A Karen?
Thalassa leu nos olhos de Rita a culpa que denunciava sua prontidão em carregar sozinha a responsabilidade pelos atos da filha e, com suavidade, colocou a mão sobre a dela.
— Pode ter sido, mas não tenho certeza. — Respondeu Thalassa, com sinceridade. — Na época em que foi presa, Karen chegou a se mostrar disposta a entregar a Linda para escapar. Agora podem até parecer aliadas, mas não acredito que exista confiança real entre elas. Afinal, ela não seria tola a ponto de confiar provas tão graves a Karen.
Luisa franziu a testa.
— Se não foi a Karen, então quem poderia ter sido?
-
— Ei, você tem visitas. — Anunciou um policial.
Das grades da cela, Linda o fitou com desprezo, com o desdém refletido no olhar, pois não suportava o tom dele nem a forma presunçosa com que a tratava, e, tendo passado a noite em claro, recusando-se a se deitar na cama imunda e fedorenta, agora permanecia firme no centro da cela, fervendo de raiva.
Assim que viu quem tinha ido visitá-la, um sorriso se abriu em seu rosto.
— Susan.
Na festa da noite anterior, Linda foi surpreendida por uma mensagem de um de seus contatos alertando que alguém estava investigando seu passado, e não demorou a perceber que Thalassa estava por trás, entendendo naquele instante o motivo dela ter "limpado" o nome e fingido uma aproximação.
Diante da urgência, Linda sabia que não podia subir sozinha para pegar as provas sem levantar suspeitas, então encarregou Susan da tarefa, passando-lhe a senha da parede e do cofre.
— Mãe… Ah… Mãe… — Soluçou Susan, abraçando-a através das grades. — Eu tentei vir ontem à noite, mas não deixaram. Como você está?
— Estou bem, querida. — Respondeu Linda, suavizando o tom.
— Isso é tão injusto. Você não merece estar aqui, mãe.
— Não, eu não mereço. Mas sairei em breve, eu prometo. — Afirmou Linda, assentindo com veemência antes de se inclinar e sussurrar. — Você não chegou a olhar o que havia dentro da bolsa, chegou?
— Não. — Susan sacudiu a cabeça, mantendo uma expressão inocente. — Você pediu para eu não abrir, lembra? Mas o que havia lá dentro, mãe?
— Eu explico tudo quando sair daqui. — Tranquilizou Linda, lançando um olhar cauteloso ao policial. — Por enquanto, preciso que faça algo por mim.

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