— O que acha que vai acontecer quando eu entregar todas essas provas à polícia?
O coração de Linda disparou no peito, mas ela cerrou os dentes e se obrigou a não deixar a ansiedade transparecer enquanto a fulminava com o olhar.
— Você não teria coragem.
— Não teria? — Escarneceu Karen, sem se abalar. — Tenho em mãos provas capazes de destruí-la. Seu reinado sobre mim acabou, Linda Miller. E, só para deixar claro, os 2 bilhões que você exigiu para o Henry investir na sua falida empresinha estão fora de cogitação. Agora sou eu quem dita as regras.
— Você não sabe com quem está se metendo, sua garota estúpida. — Cuspiu Linda com desprezo. — Se você realmente viu o que havia na bolsa, deveria saber que sou capaz de muito mais do que apenas contar ao meu filho que sua filha não é dele. Já avisei antes e repito agora: você não quer comprar briga comigo, Karen.
Por um instante, um arrepio percorreu a espinha de Karen, mas ela o afastou depressa e sustentou a expressão confiante, decidida a não permitir que Linda a intimidasse… Não desta vez.
— E o que é uma inimiga atrás das grades? — Provocou.
— Você se surpreenderia. — Retrucou Linda, com a voz baixa e perigosa. — Você acha que está no controle, mas se continuar pisando em falso vai cair feio. Eu, se fosse você, abriria mais o olho.
— Ou o quê? — Rebateu Karen. — Vai tentar me traficar e me forçar à prostituição, como ajudou a fazer com tantas mulheres? Eu sei exatamente do que você é capaz, Linda, mas não sou tão burra quanto imagina. É por isso que estou me protegendo.
Ela sorriu, triunfante.
— Fique tranquila, não pretendo entregar as provas à polícia… Desde que você pare de me chantagear com a verdade sobre a Tessa. A bolsa está escondida em um lugar muito seguro, impossível de você encontrar. Então, vamos admitir que ambas temos segredos que não queremos ver expostos: você protege o meu, eu protejo o seu. Negócio fechado?
Os olhos de Linda arderam em fúria gelada, mas ela não se deu ao trabalho de responder.
— Posso considerar o silêncio como um sim? Ótimo. Vou dizer à Susan que você mesma pediu para eu destruir a bolsa. É melhor você confirmar, se não quiser que sua filha descubra o tipo de criminosa que é.
E com uma risada, Karen se afastou, deixando Linda a fitá-la com ódio.
— Sua garota estúpida! — Sibilou Linda entre os dentes. — Apenas espere para ver como vou fazê-la se arrepender disso.
Depois de falar com Susan e deixar a delegacia, Karen entrou em seu carro, sorrindo ao olhar para a bolsa de viagem de médio porte que descansava no banco do passageiro.
Ela havia enganado Linda de propósito, dizendo que a bolsa estava escondida em um lugar impossível de adivinhar, quando na verdade pretendia guardá-la na casa da mãe.
Assim, dirigindo até lá, pegou a bolsa e destrancou a porta da frente com a própria chave.
— Ah, Srta. Karen! Quanto tempo! — Saudou a empregada ao recebê-la.
— Sim. Minha mãe está em casa?
— Não, ela saiu mais cedo, mas não disse para onde.
— Ótimo. — Disse Karen, sorrindo.
Era ainda melhor assim, pois poderia evitar que a sua mãe fizesse perguntas sobre a bolsa.
— Deixe-me ajudá-la com isso… — Ofereceu a empregada, estendendo a mão.
No entanto, Karen rapidamente tirou a bolsa do alcance dela.
— Não, está tudo bem.
Surpresa, a mulher piscou, já que Karen costumava entregar-lhe o que carregava sem nem esperar um pedido. Em vez disso, ela subiu até o antigo quarto, entrou no closet, abriu uma gaveta, colocou a bolsa ali, trancou e guardou a chave dentro da bolsa de mão.

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