Os olhares deles se sustentaram por alguns segundos antes de Zeke pigarrear e desviar o rosto.
— Quer saber por que eu realmente quero ajudá-la? — Soltou uma risada breve. — É sério que ainda tem que perguntar? Eu… Ah… Eu falei a verdade ontem no telefone. Eu me importo muito com você, porque… Você É… Uma amiga muito importante para mim.
— Sim. Claro. — Millie assentiu, forçando um sorriso para disfarçar a pontada dolorosa que sentiu no peito.
Zeke, por sua vez, ficou abalado consigo mesmo, pois não entendia por que fora tão difícil dar uma resposta que deveria ter sido simples.
Então, pigarreou de novo.
— Sobre o que falávamos antes, eu poderia contratar…
— Zeke, essa ideia não vai funcionar. Acho que meu chefe não permitiria.
— O Kris? — Zeke zombou. — Ele não terá escolha. Na verdade, vou ligar para ele agora mesmo para avisar que você vai tirar o dia de folga.
— Zeke... — Millie protestou, soltando uma risada exasperada.
Ele pegou o celular e discou o número de Kris, só que a ligação caiu na caixa postal, e, quando tentou outra vez, o resultado foi o mesmo.
— Ele não atende porque sou eu. — Resmungou entre dentes.
— Talvez você possa tentar do meu apare... — Millie interrompeu a frase ao perceber que havia deixado o celular no apartamento.
"Bem, poderia comprar outro depois…" E, mesmo sabendo que as ideias de Zeke eram malucas, ela queria arriscar, porque já estava cansada de viver em constante terror ao lado de Francis. Ainda assim, temia que sua decisão acabasse voltando para atormentá-la.
— Vou telefonar para a Luisa, assim ela repassa a notícia ao Kris.
Os olhos de Millie se arregalaram.
— Mas você não... Você não vai contar sobre...
— Não, não vou contar se você não quiser. — Garantiu ele com um sorriso tranquilizador antes de discar o número de Luisa.
— Zeke... Que bom que você ligou. — A voz de Luisa soou, aliviada. — Eu detesto a ideia de que você esteja aborrecido comigo…
— Não liguei para fazer as pazes. — Cortou Zeke, com um tom irritado, mas não hostil. — Estou te ligando porque preciso que passe uma informação ao Kris.
— Para o Kris? — Luisa pareceu surpresa.
— Sim. Diga a ele que a Millie não vai trabalhar hoje.
Houve uma pausa.
— E como você sabe disso?
— Apenas diga a ele.
— Não creio que isso seja necessário. Duvido que o Kris vá trabalhar hoje ou mesmo nos próximos dias.
Ele franziu a testa.
— Como pode ter tanta certeza?
— Você não viu as notícias?
— Que notícias?
— O Kris mandou prender a própria mãe ontem, pela agressão contra a Thalassa e pela morte do filho que ela perdeu há três anos.
Os seus olhos se arregalaram como se por reflexo, já que aquela era a última coisa que esperava ouvir, e Millie também pareceu igualmente chocada.
— Vocês estão no escritório agora?
— Não, só eu. — Respondeu Luisa. — Há muitos repórteres, e ela preferiu se manter em silêncio sobre o assunto.
— Certo. Tchau. — Disse Zeke, desligando.
— Ah, meu Deus… Coitado do Kris. — Murmurou Millie. — Não consigo imaginar o quanto isso deve estar sendo difícil para ele.
Zeke se levantou da cama.
— Preciso ver a Thalassa.

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