Kris estava sentado na escuridão de sua cobertura, iluminado apenas pelas luzes fracas da rua e pelo ocasional reflexo da televisão que ele nem sequer havia ligado.
A garrafa de uísque meio vazia estava firme em sua mão, com o gargalo sendo apertado como se fosse um pescoço prestes a ser esmagado, embora nem soubesse de quem. Ao soltá-la, ela tilintou contra a mesa de vidro, e ele se deixou recostar, com os olhos pesados, mas ainda abertos.
Foi então que a campainha tocou.
O olhar duro que lançou para a porta, junto ao maxilar contraído, deixava claro que, quem quer que estivesse ali, poderia ter dado meia-volta, já que ele não tinha disposição para visitas, sobretudo para os vizinhos hipócritas que apareceram mais cedo com "pêsames" apenas na intenção de colher fofocas e repassá-las à imprensa.
E depois de expulsá-los, desligara o celular para se livrar da maré de ligações de conhecidos e parceiros de negócios.
A campainha soou de novo, dessa vez mais insistente, e a irritação de Kris explodiu porque quem quer que fosse não parecia saber quando parar.
— Vai embora. — Resmungou entre os dentes, ciente de que não seria ouvido.
Mas a campainha continuou ecoando.
Rangendo os dentes, ele se levantou, arrastando os pés até a porta, com a cabeça girando por causa do álcool e o peso das emoções tornando cada passo um esforço.
E quando finalmente chegou, escancarou-a com força, pronto para despejar toda a raiva em quem ousasse incomodá-lo.
No entanto, sua fúria cedeu um pouco ao notar Alden parado diante dele, que, em resposta, ergueu a sobrancelha.
— Isso é decepção ou alívio no seu rosto? Não sei dizer.
Kris não respondeu, apenas virou as costas e foi para a sala de estar, deixando a porta aberta atrás de si, e Alden interpretou como convite, entrando e fechando-a em seguida.
— Você está bêbado. — Constatou, com os olhos passando pela garrafa sobre a mesa, pelas latas de cerveja espalhadas e pela aparência desleixada de Kris.
Kris bufou, despencando no sofá.
— Suas habilidades de observação estão afiadas hoje.
Alden ignorou o sarcasmo, cruzando os braços enquanto permanecia de pé no centro da sala.
— Eu vim ver como você está.
— Não precisa se preocupar. — Zombou Kris. — Não estou pensando em me matar.
O olhar de Alden se endureceu.
— Não brinque com isso, cara.
Kris deu de ombros, servindo-se de mais uísque.
— Quer saber como estou? — Repetiu com ironia. — Que tal essa? Estou como aquele que pode dizer que tem a pior mãe do mundo.
Alden se sentou no sofá à frente dele, observando-o com atenção.
— Eu consigo entender como você está se sentindo…
— Não, não consegue. — Cortou Kris de forma brusca, com as palavras saindo arrastadas pelo álcool, mas carregadas de dor crua. Então, virou o copo de uma vez e o bateu contra a mesa. — Sua mãe é um anjo que não machucaria uma mosca. A minha? A minha é uma assassina. Ela matou o próprio neto, Alden. O meu filho. E, ao que parece, ainda está envolvida com tráfico de drogas e de pessoas. — A voz dele falhou, com as palavras pesando no ar. — Não diga que entende, porque você não entende. Ninguém entenderia…
A voz de Kris se quebrou ao prosseguir.
— Ela matou meu filho ainda no ventre, Alden, e eu a defendi. Eu defendi aquela mulher! A culpa é minha, é toda minha…
Alden se inclinou para a frente, firme.

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