Já havia se passado mais de uma hora desde que Luisa subira para o quarto após a discussão, e Thalassa, agitada, andava de um lado para o outro na sala de estar, incomodada com aquele silêncio estranho. Em situações normais, sua amiga a chamaria para dar opinião sobre roupas ou maquiagem, mas, naquela noite, não buscara sua ajuda, o que soava incomum.
Então, soltando um suspiro, Thalassa subiu as escadas e bateu à porta do quarto.
— Luisa, você precisa de ajuda com alguma coisa? — Perguntou.
— Não, obrigada. — Veio a resposta seca.
Frustrada, ela pressionou os lábios e desceu novamente para o andar de baixo.
Assim que alcançou o último degrau, a campainha ecoou pela casa, e ela se dirigiu até a porta, abrindo-a para dar de cara com Alden, que a esperava com um sorriso ligeiramente sem jeito.
— Oi, Thalassa. — Cumprimentou ele. — A Luisa está pronta?
— Vou chamá-la para você.
Antes mesmo que pudesse subir, Luisa apareceu no topo da escada e começou a descer, com os olhos se iluminando ao ver Alden, cujo olhar permaneceu fixo nela.
— Você está deslumbrante. — Murmurou.
Luisa corou levemente e sorriu.
— Obrigada.
Alden se aproximou, mudando a expressão enquanto estendia a mão para ela.
— Podemos ir? — Perguntou, embora o tom soasse distante e distraído.
Luisa franziu a testa.
— Aconteceu alguma coisa?
Alden hesitou antes de soltar um suspiro.
— É sobre o Kris. — Disse em voz baixa. — Nunca o vi daquele jeito… Ele está... Em pedaços.
Luisa assentiu com simpatia.
— Descobrir que a mãe era capaz de tais coisas certamente não deve ter sido nada fácil para ele.
Ele balançou a cabeça.
— A questão vai além, já que ele carrega a culpa pela criança que não chegou a nascer. Por mais que eu tenha repetido que nada disso foi responsabilidade dele, ele insiste em não acreditar e se deixa consumir pelo remorso.
De repente, ele parou, lembrando que Thalassa ainda estava ali, e o rosto dele corou quando voltou o olhar para ela.
— Desculpe, Thalassa. Imagino que você não queira ouvir nada disso.
Ela manteve a expressão neutra e apenas balançou a cabeça.
— Está tudo bem. — Respondeu, antes de se virar e seguir para a cozinha, tentando esconder as mãos que tremiam.
Enquanto a observava se afastar, Luisa estreitou os olhos e logo se voltou para Alden.
— Você poderia me esperar no carro? Já vou.
Ele ergueu a sobrancelha, confuso, mas assentiu.
— Claro. Fique à vontade.
Assim que Alden saiu, Luisa caminhou até Thalassa, segurou-lhe o braço e a girou com força, com o olhar faiscando de frustração.
Logo, as lágrimas escorreram com mais força. "Será que tinha sido mesmo egoísta por querer manter o filho, a pessoa mais importante da sua vida, distante do Kris e daquela família cruel?" Os soluços a sacudiram, e ela chorou como se não houvesse fim… Pelo filho perdido, pelas promessas quebradas e pela dor confusa que ainda a sufocava.
Quando finalmente ficou exausta demais para continuar, Thalassa enxugou o rosto molhado e se endireitou, com os olhos inchados e o corpo pesado denunciando o cansaço, ainda que a mente parecesse mais clara.
Logo depois, tomou o celular sobre a mesa de centro, com os dedos tremendo ao digitar o número de Betty, e respirou fundo assim que a ligação foi atendida após alguns toques.
— Alô, Thalassa. — Atendeu Betty, alegre. — Como você está?
— Estou bem. — Mentiu Thalassa, com a voz trêmula. — Poderia passar o telefone para o Alex?
— Claro.
Houve uma pausa e então a vozinha surgiu do outro lado.
— Mamãe!
O coração de Thalassa se aqueceu, e novas lágrimas arderam em seus olhos.
— Oi, meu amorzinho. — Sussurrou. — Estou morrendo de saudades.
— Também sinto sua falta, mamãe! — Respondeu Alex, vibrando de alegria. — Quando vou te ver de novo?
— Logo. — Prometeu, com a voz embargada. — Muito em breve.
Depois de trocar algumas palavras, Thalassa encerrou a ligação e permaneceu fitando o celular, com o dedo parado sobre o nome de Kris na lista de chamadas. Por fim, pressionou o botão após um instante de hesitação, mas o telefone tocou em vão até cair na caixa postal.
Então, com os olhos fechados, arriscou de novo, encontrando apenas uma mensagem automática. E diante da situação, ela levou o aparelho à boca para sussurrar:
— Kris... por favor, me liga quando ouvir isto. Preciso te contar uma coisa.

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