Kris não se moveu quando o frio das algemas fechou-se em torno de seus pulsos, mesmo com a dor que lhe atravessou as articulações ao ser puxado de forma violenta pelo policial. Ele não sentia nada além do vazio latejante onde deveria estar seu coração, e, embora percebesse de forma subconsciente os celulares apontados para si, mal conseguia dar importância a isso.
Um minuto depois, o outro policial surgiu do elevador e caminhou até eles.
— Confirmado? Ele está morto? — Perguntou o que segurava Kris pelo braço.
O colega balançou a cabeça.
— Não, mas a situação não está nada boa. — Então, indicou Kris com um movimento de queixo. — Puta merda… Parece até que os punhos dele são de aço, porque o cara mal consegue respirar, o nariz está quebrado e o pulso está fraco demais.
— Você acha que ele vai sobreviver?
O policial deu de ombros.
— Não sou médico, mas já chamei os paramédicos. Eles estão a caminho. Enquanto isso, você pode levar esse aqui para a delegacia e trancá-lo. Vou ficar para tomar os depoimentos.
O agente o agarrou e, com brutalidade, começou a empurrá-lo até que Kris percebeu apenas as próprias pernas se movendo, sendo arremessado para o banco traseiro da viatura, sem enxergar nada além disso, já que continuava entorpecido.
Na delegacia, passou pelo procedimento padrão: teve seus pertences recolhidos: celular, relógio e carteira… E suas digitais foram colhidas. Kris fez tudo de maneira mecânica, até ser jogado em uma cela.
— Reze, Miller. — Zombou o policial, com um sorriso doentio de satisfação. — Reze para que o cara que você espancou sobreviva milagrosamente, para que assassinato não se some às suas acusações. Caso contrário, vai passar muito, muito tempo na prisão, rapaz.
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Embora Kris tivesse saído havia apenas alguns minutos, a atmosfera pesada ainda pairava na sala de estar. Cynthia, Susan e Tyler insistiam em insultar Karen, que, com o corpo trêmulo e a cabeça baixa, chorava em silêncio, exibindo o rosto encharcado de lágrimas e os punhos fortemente cerrados sobre o colo.
— Eu pensei que você fosse uma mulher decente, Karen. — Bradou Cynthia, com a voz cortante de fúria. — Acreditei que poderia entregar ao Kris mais do que a Thalassa lhe deu, porém percebo agora o quanto me enganei. Cometi um erro desastroso, porque, comparada a ela, você nunca passou de um traste barato de feira.
As palavras atingiam Karen a ponto de fazê-la estremecer, e, mesmo abafados, os soluços continuavam a sacudir seu corpo.
— Eu pensei que a Thalassa fosse uma vadia. — Cuspiu Tyler, com ódio. — Achei que ela tivesse seduzido o Kris só para se infiltrar na nossa família. Mas você... — A voz dele pingava veneno. — Você é infinitamente pior. É uma vadia de verdade. Uma maldita prostituta.
O insulto a atingiu como um golpe físico, fazendo-a encolher-se ainda mais.

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