O rosto de Karen se contorceu em descrença enquanto ela balbuciava:
— Você não pode fazer isso!
No entanto, Kris inclinou levemente a cabeça.
— Ah, eu posso. E vou fazer.
Diante da resposta, ela balançou a cabeça veementemente.
— Tessa nem é sua filha de verdade.
Por um instante, uma pontada de dor percorreu Kris, mas ele a reprimiu, endurecendo a expressão ao encarar Karen.
— Ainda assim sou o pai dela perante a lei, e pode ter certeza de que o fato dela não ser do meu sangue não vai importar quando eu provar o quanto você é incapaz de cuidar dela.
Karen abriu a boca para retrucar, mas Kris já havia se afastado, dirigindo-se a Boatemaa e Tessa. Então, ele se inclinou, depositando um beijo terno na testa da menina.
— Eu preciso ir, meu amor, mas vou voltar para te ver muito em breve.
O rostinho de Tessa murchou e seus dedinhos agarraram a manga dele.
— Você promete, papai?
— Eu prometo. — Disse Kris, forçando um sorriso para acalmar a menina enquanto o coração doía ao se afastar.
Em seguida, Tessa acenou, desviando o olhar para Thalassa.
— Tchau, moça bonita.
Com o olhar carregado de irritação fixo em Thalassa, Karen viu Kris envolver a parceira para saírem juntos, mas logo se interpôs diante deles e segurou o braço dele mais uma vez.
— Se for atrás da guarda unilateral da Tessa, então vou permitir que Henry a reconheça legalmente como filha dele.
O rosto de Kris se contorceu em repulsa enquanto a encarava, mal conseguindo conter o desprezo.
— Ele que tente. — Disparou, arrancando o braço do aperto dela. E sem olhar para trás, saiu pela porta com Thalassa.
Assim que entrou no carro, Kris apertou o volante até os dedos perderem a cor, e, com a mão trêmula, puxou o celular e discou depressa o número do advogado.
— Decidi mudar minha posição, portanto não haverá mais qualquer direito de visita em relação à Tessa. O que eu quero agora é a guarda unilateral, com restrição de visitas.
Depois de uma breve pausa, acrescentou:
— Vamos discutir isso em detalhe quando nos encontrarmos mais tarde.
Kris encerrou a ligação, jogando o celular sobre o painel com um suspiro agitado antes de se recostar no banco.
Estando junto dele, Thalassa repousou a mão sobre a sua e a pressionou com ternura, de modo que o gesto, ao mesmo tempo suave e reconfortante, lhe deu exatamente o alívio de que precisava.
— Obrigado. — Murmurou, lançando-lhe um sorriso grato.
No entanto, justo no momento em que Kris se aproximou para beijá-la, o telefone dela tocou, e ela, ao reconhecer o nome de Luisa na tela, atendeu e acionou o viva-voz.
— Lassa! — Falou Luisa. — Nós fomos até a delegacia, mas nos disseram que o Kris já tinha sido solto. Onde vocês estão?
Thalassa lançou um olhar a Kris, hesitando um pouco.
— Eu te conto depois, Luisa.

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