— Para onde vocês acham que vão com a minha filha? — Repetiu Karen.
Kris contraiu o maxilar, segurando Tessa de forma protetora nos braços.
— O que parece, Karen? Estou levando-a comigo. — Respondeu entre dentes, com o tom frio e inflexível.
Ela soltou um escárnio, cruzando os braços com desafio.
— E o que te faz pensar que tem qualquer direito de fazer isso?
— Porque sou o pai dela. — Respondeu Kris, deixando transparecer na voz a frustração misturada a uma dor contida.
— Ah, então resolveu se lembrar disso agora? — Karen devolveu, arqueando a sobrancelha. — Ontem mesmo você não estava dizendo algo completamente diferente?
O rosto dele se endureceu com o comentário.
— Não seja tão cínica.
Logo, os olhos de Karen deslizaram até Thalassa, e a irritação em seu semblante só aumentou.
— E por que você trouxe ela aqui? — Debochou. — Já não fez estragos suficientes, Thalassa? Depois de roubar meu marido, agora também quer roubar a minha filha?
O olhar de Thalassa permaneceu calmo, ainda que um lampejo de irritação brilhasse em seus olhos.
— Eu não roubei nada de você, Karen. — Respondeu em voz aveludada. — Kris nunca foi seu para começo de conversa. E só estamos levando Tessa para mantê-la em segurança.
Karen riu com amargura.
— Em segurança? Com você? Francamente... Você me odeia tanto que não duvido que fosse capaz de machucá-la só para me atingir.
Kris se esforçou para manter a voz serena por causa de Tessa em seus braços, a cada instante aquilo se tornasse mais difícil.
— Chega, Karen. Thalassa não é nada como você.
Karen estendeu a mão em direção a Tessa, mas Kris a puxou para trás de imediato, estreitando os olhos.
— Sim, eu concordo que ela é sua filha, como disse ontem, mas não vou deixar você simplesmente levá-la de mim. — Afirmou Karen. — Se quiser vê-la, pode me avisar, mas ela ainda é pequena e precisa de mim, da mãe dela.
Kris soltou um riso sarcástico, embora a mágoa brilhasse em seus olhos.
— E onde estava toda essa preocupação quando você a deixou aqui para ficar com o seu amante? Ou será que esqueceu desse detalhe?
Nesse instante, Boatemaa deu um passo à frente, com o rosto marcado pela preocupação.
— Ele tem razão, senhora. — Começou com hesitação. — Ela não deveria ter ficado sem companhia, ainda mais depois do aviso dos gêmeos e da Sra. Cynthia. Se a senhora tivesse chegado um pouco mais cedo, teria presenciado a cena humilhante: juntaram os pertences de Tessa com os seus e já estavam decididos a mandá-la embora.
Primeiro, Karen lançou os olhos para as malas espalhadas na sala de estar, e, logo em seguida, estreitou o olhar antes de encarar Kris de novo.
— Se quer apontar dedos, aponte para os membros da sua família, não para mim.
Então, ela se aproximou um passo dele.
— Eu quero ficar com a mamãe e o papai. Não quero mais que vocês briguem...
Com os punhos cerrados e a fúria prestes a transbordar, Kris enxergou o que Karen tramava: manipular a filha através da própria inocência, obrigando-a a escolher e pintando nele a figura do vilão.
No fundo, ele desejava arrancar Tessa daquele lugar, mas o medo do impacto que isso teria sobre a menina o deteve.
Foi então que Thalassa se adiantou.
— Karen, se for ficar com Tessa, ao menos a tire desta casa e dessas pessoas. Leve-a para um lugar seguro, longe dessa confusão. Por que não a leva para a casa da mamãe? Lá ela será amada e cuidada.
A expressão de Karen se retorceu em desprezo.
— Primeiro de tudo, pare de chamá-la de "mamãe"! Ela não é sua mãe, por mais que você deseje que fosse. — Cuspiu. — E não, não vou ficar na casa daquela traidora. Vou para outro lugar.
Thalassa balançou a cabeça, com um sorriso amargo surgindo em seus lábios.
— Se você acha que Rita é uma traidora por revelar a verdade, então o que isso faz de você, Karen?
— Chega! — Colocando-se no meio das duas com determinação, Boatemaa tomou Tessa dos braços de Karen com cuidado, e sua voz saiu terna, embora carregada de firmeza. — Essa discussão não faz bem para a menina.
E passou a mão carinhosamente no cabelo de Tessa, em um gesto para acalmá-la.
Logo, Kris se aproximou de Karen, com os olhos escurecidos, e falou em tom baixo mas firme:
— Aproveite enquanto pode, porque não vai durar. Minha filha não vai crescer sob sua influência. Vou entrar com o pedido de guarda unilateral.

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