O barulho dos lírios ao chão os fez parar o beijo, e Thalassa, assustada, recuou de uma vez, levantando-se rápido com os olhos arregalados.
— Zeke.
Ele a encarou em descrença, com o rosto marcado por dor e confusão.
— Vocês… Voltaram a ficar juntos? — Perguntou em tom baixo e ferido.
Thalassa avançou na direção dele com passos vacilantes, revelando a hesitação em cada movimento.
— Sim... Nós voltamos
Com os punhos fechados e os nós dos dedos embranquecidos, Zeke deixou escapar um murmúrio carregado de amargura:
— Por quê?
Isso a fez parar, franzindo levemente a testa.
— O quê?
Ele engoliu em seco, lutando para manter a voz firme.
— Ele jogou na sua cara o fato de você ter escondido o Alex, tentando te fazer se sentir culpada? Falou que, por isso, você devia ficar com ele? Ou foi além e ameaçou tirar o Alex de você?
Kris enrijeceu, com o maxilar cerrando-se em fúria, mas antes que pudesse reagir, Thalassa deu um passo à frente, falando com firmeza:
— Então é isso que você pensa de mim, Zeke? Que eu sou uma marionete fácil de manipular? Pois não sou. — Ela balançou a cabeça, mantendo o olhar fixo nele. — Eu escolhi estar com o Kris, porque o amo.
Assim que ouviu aquelas palavras, Zeke sentiu os ombros se enrijecerem, pois cada uma lhe acertava como se fosse um golpe.
— E... Quanto a mim? — Sua voz saiu áspera, baixa, ao encontrar os olhos dela. — Eu te disse o que sentia e pedi uma chance.
— Eu sei que você não gosta de mim, Zeke. Na verdade, eu também não gosto de você. — Afirmou Kris, com a voz calma mas firme. — Porém pode ter certeza de que vou fazer de tudo para que Thalassa seja feliz.
Ele olhou para Kris com a expressão tomada de rancor e fúria, porém em seguida voltou-se para Thalassa, e seus traços se abrandaram em resignação.
— Eu aceito a derrota. Você passou por tanta coisa... — Disse em voz baixa, forçando um sorriso frágil. — Espero que tenha feito a escolha certa e que encontre a felicidade que merece.
Thalassa sentiu os olhos marejarem, tentou falar, mas a voz não lhe veio, e acabou apenas observando com o coração apertado quando Zeke se virou lentamente, com os ombros pesados, e caminhou até a porta.
Ele manteve a mão apoiada na maçaneta por um breve momento, depois a puxou e saiu, abandonando os lírios caídos no chão.
Do lado de fora, o frio da noite envolveu Zeke e, ao inspirar profundamente, ele deixou que a dor da perda se fincasse dentro de si enquanto seguia com passos lentos até o carro, entrando logo depois, fechando a porta e encostando a cabeça no assento antes de fechar os olhos.
Por fim, aceitou a dura realidade de que não importava o que fizesse, o coração de Thalassa ainda pertencia ao Kris.

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