Millie se sentou na beira do sofá da sala de estar, com o olhar fixo no novo celular que Zeke lhe comprara há apenas alguns dias, mordendo o lábio com inquietação, porque já estava tarde e ele ainda não havia voltado para casa.
Ele mencionara que jantaria na casa de Thalassa, mas não dissera que ficaria fora por tanto tempo, muito menos que não atenderia às suas ligações, de modo que ela tentara discar para o número dele diversas vezes e, a cada chamada ignorada, seu estômago se contraía em apreensão.
No entanto, não podia ligar para Thalassa nem para Luisa em busca de tranquilidade, já que ambas ainda não sabiam que estava hospedada ali e tampouco tinham conhecimento sobre tudo que acontecera com Francis. Portanto, permaneceu sozinha com seus pensamentos agitados, lançando olhares ao relógio a cada poucos minutos.
Por fim, a porta se abriu com um clique e ela saltou de pé, deixando o alívio inundar seu peito ao ver Zeke entrar, mas logo o sentimento desapareceu quando notou a expressão perdida e cansada em seu rosto.
Os cabelos dele estavam desgrenhados, os ombros caídos e os olhos carregavam um peso excessivo para alguém que havia saído tão animado.
— Zeke… — Chamou em voz baixa, aproximando-se. — Até que enfim você voltou. Eu estava preocupada, ainda mais porque você não atendeu às minhas ligações…
Ele piscou, surpreso.
— Você ainda está acordada? — Sua voz soava rouca e um pouco arrastada.
Ela assentiu, dando um pequeno passo à frente.
— Não consegui dormir… Porque estava preocupada.
Diante disso, ele lhe ofereceu um sorriso cansado e distante.
— Desculpe. Eu só… Precisava de um tempo para pensar.
Millie nunca o vira tão derrotado e, ao notar aquele tom partido em sua voz, seu olhar se suavizou, sentindo-se dividida entre exigir respostas ou poupá-lo, mas não teve tempo de decidir, porque ele retomou a palavra:
— Já estou em casa, são e salvo. Então, você deveria ir dormir. Obrigado por se preocupar comigo. — Era uma voz calma, mas com um ar de distância, como se sua mente estivesse em outro lugar. — Boa noite. — Após dizer isso, ele virou as costas e seguiu pelo corredor até o escritório, enquanto ela o acompanhava com o olhar, sentindo o coração se apertar.
Parte dela quis subir para o quarto e lhe dar o espaço que parecia pedir, porém a ideia de deixá-lo sozinho, justamente quando não estava bem, não lhe caiu bem.
Então, depois de alguns instantes de hesitação, ela acabou seguindo para o escritório e abriu a porta devagar, espiando para dentro, onde encontrou Zeke diante do bar com uma garrafa de uísque.
Ela se encolheu ao vê-lo beber longamente direto da garrafa, imaginando a ardência que devia provocar, e, quando ele percebeu que ela estava ali parada, arqueou a sobrancelha:
— Você ainda está aqui? — Caminhou até o sofá e se deixou cair pesadamente, soltando um suspiro. — Está sem sono?
Millie entrou, fechou a porta atrás de si e se sentou ao lado dele.
— Não, não consigo, não quando sei que tem algo errado com você. O que aconteceu, Zeke?
Ele soltou uma risada amarga, balançando a cabeça.
— No fim das contas, eu sou apenas um idiota.
O coração dela se apertou, e, tocando suavemente o braço dele, arriscou:
— O que aconteceu na casa da Thalassa? Ela… Te rejeitou?
Zeke respirou fundo e fechou os olhos por um instante.
— Kris e Thalassa… Voltaram a ficar juntos.
O coração de Millie despencou, embora tentasse manter o rosto neutro.

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