O beijo foi intenso, carregado de fome e convicção, deixando Millie sem fôlego enquanto as mãos dele a seguravam com força, como se tivesse medo de que ela escapasse.
Quando finalmente se afastou, segurou o rosto dela entre as mãos e sussurrou em tom baixo e fervoroso:
— Esse beijo parece ter nascido da culpa?
Antes que Millie pudesse responder, a boca dele encontrou seu pescoço e espalhou uma trilha de beijos que a fizeram estremecer, à medida que a mão deslizava por suas costas e a puxava ainda mais contra si.
— Minhas carícias parecem vir da culpa? — Ele sussurrou com o hálito quente contra a pele dela, arrancando-lhe um gemido.
Os dedos de Zeke percorreram as laterais de seu corpo e, em seguida, segurando a mão dela, a guiou até colocá-la entre eles, pressionando a palma dela contra o calor inconfundível de seu desejo.
Millie, por sua vez, quase arfou ao sentir o quanto o pau dele estava grande e rígido através do tecido da calça.
— E quanto a isso? — Questionou, com a voz rouca e espessa.
No entanto, Millie deu de ombros.
— Quem sabe não foi o Viagra que ajudou?
Zeke congelou e recuou para fitá-la com os olhos arregalados de incredulidade.
— O quê?
Diante da expressão chocada dele, Millie não conseguiu conter a risada e se dobrou de tanto rir.
— Desculpa… Eu não resisti! — Disse quando finalmente conseguiu se recompor.
Ele soltou um grunhido e balançou a cabeça, mas um leve sorriso surgiu em seus lábios.
— Você sabe que está arruinando o momento, não é?
Millie arqueou a sobrancelha, ainda rindo.
— Momento? Eu não sabia que estávamos tendo um.
O beiço de Zeke se acentuou enquanto ele cruzava os braços.
— Estávamos. — Disse, embora os lábios tremessem em diversão. — E é fácil dar um nome a isso: "admiti que te amo."
Descruzando os braços, inclinou-se de novo e capturou os lábios dela, dessa vez num beijo mais suave e demorado, e Millie não resistiu, acompanhando cada movimento da língua dele com igual intensidade.
E quando se afastou, fitou-a com olhos suaves.
— Agora acredita em mim?
Por um instante, Millie ficou atordoada, sentindo o calor se espalhar das bochechas até os pés, e assentiu devagar, embora ainda houvesse um lampejo de dúvida em seu olhar.
— Ótimo. — Disse Zeke, sem esconder o sorriso aliviado. — Então, chegou a comprar roupas? — Perguntou, olhando em volta do quarto de hotel. — Vamos arrumar tudo e voltar para casa.
Millie se enrijeceu e o sorriso desapareceu enquanto ela dava um passo para trás.
— Zeke… Eu não vou voltar para a sua casa.
O rosto dele desabou, com a surpresa marcada em cada traço.
— Como assim? — Perguntou, suavizando a voz ao buscar os olhos dela. — Mas… Você disse que acreditava em mim!
— E acredito. — Ela respondeu, prendendo uma mecha de cabelo atrás da orelha. — Só que voltar para a sua casa me soa… Não sei, um pouco demais. Não quero que a gente corra, porque dá a impressão de que já moramos juntos, de que somos um casal consolidado, quando na verdade estamos apenas… Começando. Eu sei que parece ridículo, afinal já passamos alguns dias juntos, mas é exatamente assim que eu me sinto.
Zeke a observou com expressão pensativa.
— Não, faz todo o sentido. Você quer que a gente faça isso da maneira certa… Então vamos começar do início, da fase da conversa.
Zeke assentiu, parecendo culpado.
— Saí mais cedo da reunião do conselho e eles ainda aguardam minha opinião, mas não quero te deixar sozinha aqui.
Millie revirou os olhos.
— Zeke, volte para o trabalho. Você sabe que estou segura. Além disso, eu preciso de um tempo para me preparar para o nosso primeiro encontro.
Ele abriu um sorriso, com o olhar cintilando de malícia.
— Você realmente sabe como convencer um homem. — E inclinando-se, deu-lhe um último beijo demorado. — Até mais tarde.
Ele deu alguns passos em direção à porta, porém deteve-se, olhando para ela como se fosse impossível se afastar. Então retornou, prendendo os lábios dela num beijo súbito e ardente, que a fez rir contra a boca dele.
Quando se afastou, um sorriso suave se formou em seu rosto.
— Te vejo mais tarde.
Com um último olhar relutante, ele enfim saiu, fechando a porta atrás de si, fazendo Millie soltar o ar em um sopro forte, ainda tentando recuperar o fôlego enquanto fitava a porta fechada.
Logo, um sorriso tomou conta de seu rosto e, sem conseguir se controlar, deixou escapar um gritinho abafado, correu para a cama e se jogou sobre ela, olhando para o teto ao mesmo tempo que uma risadinha lhe escapava.
Em apenas um dia, tudo havia mudado de forma quase inacreditável, pois Zeke, aquele que ela julgara inalcançável, tinha acabado de lhe declarar amor.
Ao tocar os lábios com os dedos, ela reviveu a lembrança do beijo, marcado pela delicadeza e pela força, além do olhar que a fazia sentir como se nada mais no mundo tivesse importância.
"Se aquilo fosse apenas um sonho, ela desejava permanecer nele para sempre, sem jamais despertar.
Mas até quando poderia continuar sonhando?"

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