O coração de Francis começou a bater descompassado conforme as palavras de Zeke o atingiam em cheio, pois ele sabia exatamente de qual hospital psiquiátrico se tratava e conhecia o suficiente daquele lugar para saber que os horrores ultrapassavam qualquer descrição.
Logo, uma onda de pânico o invadiu, mas ele forçou um sorriso cínico, tentando manter a voz firme.
— Você não pode fazer isso. — Cuspiu, deixando escapar o desespero por trás da falsa bravata. — Aquele lugar de lunáticos fica em outro país, e além disso, é ilegal me confinar contra a minha vontade.
Zeke soltou um riso sombrio.
— Só preciso de alguns documentos que atestem que você representa um perigo para si mesmo e para os outros, e isso não vai ser nada difícil de conseguir. — Afirmou, com um sorriso duro que não alcançava os olhos. — E sim, o que eu planejo fazer com você é ilegal, assim como o que será feito com você quando estiver lá dentro, mas eu não me importo, porque estou disposto a fazer qualquer coisa para proteger as pessoas que amo de monstros como você.
Enquanto um suor frio corria pela testa de Francis, Zeke se ergueu, retirou o celular do bolso e começou a discar um número.
— Pode entrar agora. — Disse com frieza, sem desviar os olhos de Francis.
O peito de Francis se apertou, e ele cambaleou para se levantar, respirando em ofegos curtos e desesperados.
— Você... Você não vai se safar com isso! — Tentou soar ameaçador, mas a voz saiu quebrada pelo pânico. — O Paco sabe que estou aqui! Ele vai vir atrás de mim e vai fazer você pagar por isso!
No entanto, o sorriso de Zeke se alargou, e seus olhos brilharam com algo próximo da diversão.
— Eu sabia que você diria isso, por isso mesmo já cuidei do seu queridíssimo "parceirinho" — Respondeu. — A essa altura, ele provavelmente está sendo algemado por posse e tráfico de drogas pesadas, e nem precisei armar nada, já que ele é tão viciado quanto você. Inclusive, vou garantir que ele receba a sentença mais longa possível por esse crime.
Naquele momento, Francis soube que estava realmente ferrado.
Foi então que uma batida soou na porta, fazendo-o estremecer. Ao abrir a porta, Zeke deu passagem a dois homens com uniformes hospitalares que empurravam uma maca, e Francis, ao ver a cena, arregalou os olhos, perdeu a cor do rosto e ficou com as pernas imóveis.
— Não… — Um som estrangulado escapou de seus lábios enquanto ele começava a recuar. — Não, vocês não podem fazer isso comigo!
De repente, ele se atirou em direção a Millie, agarrando-se às pernas dela enquanto a fitava com desespero, pois pelo olhar cruel no rosto de Zeke, sabia que o outro cumpriria cada uma de suas ameaças, e além disso, tinha dinheiro e poder para isso. Então… Sua única alternativa agora era apelar para Millie.
As lágrimas escorriam de seus olhos enquanto ele implorava:
— Millie... Por favor, não deixe que eles me levem! Me desculpa, eu... Eu sinto muito por tudo o que te fiz.
A voz dele se quebrou, com as palavras tropeçando umas sobre as outras.
— Eu admito, fui um idiota, mas fiz tudo movido pela insegurança. Millie, eu te amo, e o medo de perder você me fez ultrapassar todos os limites. Eu te ameacei porque não sabia como lidar com isso, e sim, foi errado, mas, por favor, você é boa, é compassiva… Então, consegue me perdoar, não consegue? Não deixa ele seguir com isso. Fui eu quem te tirou da prisão, lembra? Alterei as provas para que jamais te relacionassem com a morte daquele cara!
Para sua decepção, os lábios de Millie se curvaram em uma linha fria e amarga enquanto ela falava, com a voz baixa, mas cortante como vidro estilhaçado:
— Sim, Francis, você me livrou da prisão, mas apenas para me jogar em algo muito pior, porque você tirou tudo o que eu tinha e ainda se divertiu me torturando e me destruindo.
Francis balançou a cabeça, com as lágrimas escorrendo com mais intensidade, implorando:

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