Enquanto Millie se prendia a Zeke e finalmente se permitia liberar a dor que guardara por tanto tempo, Smoke assistia em silêncio, sentindo que a conexão entre eles era tão real e vulnerável que parecia estar invadindo algo profundamente pessoal.
Percebendo que era hora de sair, ele começou a guardar o notebook e os cabos na mochila, e então lançou a Zeke um leve aceno, encontrando brevemente seu olhar antes de sair do quarto em silêncio respeitoso, fechando a porta suavemente atrás de si.
Zeke continuou fazendo círculos suaves nas costas dela, oferecendo consolo até que os soluços cessaram. Por fim, Millie se afastou devagar, fungando e olhando para a camisa dele com uma expressão constrangida.
— Desculpa. — Murmurou. — Eu estraguei sua camisa.
Zeke sorriu levemente, olhando para o tecido úmido.
— Só algumas lágrimas salgadas. Nada grave.
Millie conseguiu esboçar um pequeno sorriso, embora a sombra da tristeza ainda pairasse em seu olhar. E, sem pensar muito, Zeke se inclinou e pressionou um beijo suave em sua testa, permanecendo ali por alguns segundos a mais.
— Pronta para ir para casa agora? — Perguntou em tom cuidadoso, pois desde que ela havia recusado o convite antes, ele temia que rejeitasse novamente.
Porém, ela assentiu, e o alívio tomou conta dele, fazendo-o sorrir. Em seguida, pegou a pequena bolsa dela que estava ao lado da cama e passou o braço por seus ombros enquanto saíam juntos.
Quando entraram no elevador e chegaram à recepção, Zeke percebeu o modo como os olhos de Millie se moviam pelo ambiente, observando tudo ao redor como se esperasse que seu passado surgisse a qualquer momento para assombrá-la.
Então, ele apertou o ombro dela com carinho, inclinando-se para sussurrar em seu ouvido:
— Já acabou. Está tudo bem agora.
Ela soltou um suspiro trêmulo e assentiu, permitindo que a tensão em seu corpo se dissipasse à medida que faziam o check-out do hotel e saíam. Zeke abriu a porta do carro para ela, e Millie lançou-lhe um olhar agradecido ao se acomodar no banco do passageiro.
Logo em seguida, ele deu a volta no carro até o lado do motorista, tirando as chaves do bolso, mas parou ao ouvir o toque do celular. Ao ver o identificador de chamadas, ergueu o olhar para Millie.
— É o Kris.
Com um gesto rápido, atendeu e colocou no viva-voz.
— Miller?
— O Smoke acabou de me ligar. — Disse Kris. — Ele me contou que tudo foi resolvido e que aquele bastardo, enfim, recebeu o que merecia.
Zeke assentiu.
— Sim. Obrigado, Miller... De verdade, por tudo. E por ter colocado o Smoke no lugar certo, na hora certa.
A voz de Kris suavizou ao perguntar:
— E como a Millie está?
Millie pigarreou e se inclinou na direção do telefone.
— Eu... Eu estou bem. E agradeço de coração tudo o que você fez, Kris. Sério mesmo.

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