Thalassa estava sentada na fria sala de espera, com as mãos fortemente entrelaçadas e o corpo completamente rígido.
À sua frente, Luisa andava de um lado para o outro, com passos inquietos e as mãos trêmulas, parando de tempos em tempos para lançar um olhar em direção às portas duplas da emergência, antes de retomar sua caminhada ansiosa.
Duas horas. Já se haviam passado duas horas agonizantes desde que Juana fora levada para a cirurgia, e ainda assim, nenhuma notícia. No fim, o silêncio só tornava a espera mais pesada.
De repente, Luisa parou de andar e virou-se para Thalassa, com os olhos brilhando de lágrimas.
— Isso… Isso é tudo culpa minha. — Sussurrou ela, com a voz áspera de culpa.
— Juana disse que queria ficar. Ela disse que tinha trabalho a terminar, mas eu insisti para que viesse com a gente. Se eu tivesse deixado ela trabalhar, isso não teria acontecido.
O olhar de Thalassa se levantou devagar.
— Luisa. — Disse ela, tentando manter-se o mais calma possível. — Se você está se culpando por isso… Então o que eu deveria sentir?
A voz dela vacilou levemente.
— Juana salvou minha vida… Ela me empurrou para fora do caminho e se colocou em risco. Isso aconteceu porque ela estava me protegendo!
Luisa mordeu o lábio, com os olhos enchendo-se de uma raiva misturada ao desespero.
— E aquele covarde… Aquele desgraçado nem sequer parou! Ele simplesmente foi embora, como se a vida da Juana não valesse nada.
O rosto de Thalassa escureceu, e ela balançou a cabeça.
— Por que eles parariam, se foi intencional?
Luisa ficou imóvel, prendendo a respiração ao processar as palavras de Thalassa.
— Intencional? — Sussurrou. — Você está dizendo… Está dizendo que não foi um acidente?
Antes que Thalassa pudesse responder, as portas duplas da emergência se abriram, e um médico saiu. Logo, as duas correram em direção a ele.
— Doutor! — Chamou Luisa. — Por favor… Como está a Juana? Ela vai ficar bem, certo? Por favor, diga que sim…
O médico suspirou, com a expressão carregada de seriedade.
— A paciente saiu do que era o pior do pior.
O rosto de Luisa se contraiu, e ela balançou a cabeça.
— Não diga isso! Parece que só tirou um "pior" da frase!
O médico apertou os lábios, com o semblante compassivo, porém firme.
— Estou apenas tentando ser transparente com vocês. O pior do risco imediato passou, mas ela ainda está em estado crítico. O impacto na cabeça foi severo, e houve traumas significativos nas pernas e nos joelhos.
Ele fez uma pausa, permitindo que as palavras fossem absorvidas.
— Pode ser que ela não sobreviva… E mesmo que sobreviva, existe a possibilidade de que nunca mais volte a andar.
Um tremor percorreu o corpo de Thalassa, que precisou se segurar no braço de Luisa para não desabar, vendo o rosto da amiga empalidecer enquanto ela murmurava em um fio de voz:

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