Na mansão dos Miller, os gêmeos e a tia jantavam juntos à mesa de jantar, mas Tyler mal conseguia comer, já que suas mãos tremiam a cada vez que levava o garfo à boca.
Susan, por sua vez, o fulminava com o olhar a cada instante, mandando que se recompusesse com autoridade silenciosa.
— Eu simplesmente não entendo… — Disse Cynthia, franzindo o cenho em confusão. — Como o carro do Tyler pôde ser roubado? Você deixou as chaves lá dentro? Esqueceu de trancar as portas?
Susan soltou um suspiro afiado, tamborilando as unhas impecavelmente feitas contra a mesa com impaciência. — Pela última vez, tia Cynthia, a gente não sabe! Estacionamos e, quando voltamos, ele tinha sumido. Então, para de fazer pergunta idiota.
Cynthia se ofendeu com o tom da sobrinha.
— Não precisa ser tão grosseira, mocinha… Só estou preocupada. Aquele carro foi muito caro, por isso espero que a polícia prenda logo esses ladrões e…
Foi nesse momento que a campainha tocou, interrompendo-a no meio da frase, e Cynthia virou o rosto em direção ao som, com os lábios firmemente cerrados.
— Quem será? — Resmungou ela. — Martha! — Chamou a empregada. — Veja quem está na porta! E que não seja aquela vadia da Karen voltando aqui, porque eu mesma arranco ela pelos cabelos!
A empregada se apressou até a porta, com os chinelos arrastando suavemente sobre o piso de cerâmica, e, depois de olhar para o monitor, recuou alguns passos antes de anunciar:
— São dois policiais.
A cor sumiu do rosto de Tyler, que se endireitou bruscamente, com os olhos disparando para Susan.
— Não… — Murmurou, com a voz trêmula. — Não... Eles descobriram. Eles descobriram...
Susan virou a cabeça de imediato, com a expressão endurecendo em alerta.
— Cala a boca, eles não sabem de nada.
Cynthia olhou de um para o outro, franzindo a testa com desconfiança.
— Por que está tão tenso, Tyler? Talvez tenham encontrado o seu carro. — Comentou, fazendo um gesto para a empregada. — Pode abrir a porta.
A empregada obedeceu, destrancando-a e se afastando, permitindo que dois policiais uniformizados entrassem, seguidos por Thalassa, cuja presença explodiu no ambiente como uma bomba.
— Mas o que ela está fazendo aqui? — Esbravejou Cynthia, levantando-se de imediato com indignação.
As mãos de Tyler começaram a tremer, enquanto Susan se forçava a manter a compostura, moldando a expressão em uma máscara de falsa cordialidade.
— Boa noite. Somos os oficiais Stanton e Reed.
— Boa noite, oficiais. — Disse Susan com um sorriso forçado. — A visita dos senhores tem relação com o carro do meu irmão? Ele foi encontrado?
O oficial Stanton balançou a cabeça devagar, com o olhar firme.
— Não, senhorita, ainda não encontramos o carro, mas estamos aqui por outro assunto relacionado a ele.
Em seguida, ele ergueu o mandado de prisão com firmeza.
— Susan Miller e Tyler Miller, vocês estão presos por tentativa de homicídio, lesão corporal, direção imprudente e ataque com veículo. E ressalto que têm o direito de permanecer calados, já que tudo o que disserem poderá ser usado contra vocês.
O ambiente congelou por completo, e Susan piscou com os lábios entreabertos.
— Desculpa, o quê? Tentativa de homicídio? Isso é um absurdo. Do que vocês estão falando?
O rosto do policial permaneceu impassível.
— O carro que vocês relataram como roubado foi usado em um atropelamento proposital contra uma mulher chamada Juana Pascal.
— E por sua causa, alguém que eu amo está entre a vida e a morte. Então não, Susan! Eu não vou a lugar nenhum até que vocês paguem por tudo o que fizeram.
Seu rosto se contorceu com desprezo.
— O que vocês pensaram? Que me matando ia libertar sua mãe? Ou que iam sair impunes? Vocês nunca foram brilhantes, mas conseguiram se superar! E se sentem tanta falta da mamãe, não se preocupem, pois logo vão estar com ela na prisão.
Tyler desabou de vez quando foi puxado para ficar de pé.
— Por favor! — Implorou, virando-se para Thalassa, com as lágrimas escorrendo. — Eu não sabia! Juro que não sabia o que a Susan estava planejando! Foi tudo ideia dela! Ela é quem estava dirigindo! Foi ela quem decidiu te atropelar!
— Covarde! — Sibilou Susan, com os olhos em chamas. — Seu merda!
— Chega! — Gritou o oficial, agarrando os pulsos dela quando ela tentou resistir. — Resistir à prisão só vai piorar sua situação, então é melhor cooperar.
— Vocês não sabem com quem estão lidando! — Berrou Susan, enquanto ele colocava as algemas em seus pulsos por trás. — Meu irmão é o Kris Miller e ele vai fazer vocês perderem os distintivos! Podem esperar que vão ser demitidos, seus idiotas!
Os policiais ignoraram as ameaças e arrastaram os dois irmãos até a porta, enquanto a tia os seguia aos gritos.
— Soltem meus sobrinhos agora mesmo! Isso é um erro! Vocês vão se arrepender!
Quando estavam prestes a sair e Thalassa alcançava a maçaneta, a porta se abriu sozinha diante dela.
Do outro lado, Kris esperava, com uma expressão completamente ilegível no rosto.
Os olhos de Susan se iluminaram com desespero.
— Graças a Deus que você chegou, Kris. Eu sabia que viria nos ajudar!

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