Depois de desligar a TV, Bridget percorreu o olhar pelo espaço vazio e, ao fazê-lo, seus olhos logo pousaram sobre o celular de Rita, que estava jogado no sofá, virado para baixo, como se tivesse sido esquecido. "Ela havia se esquecido de levá-lo consigo!"
Ela sorriu de leve, balançando a cabeça.
— Pobrezinha. Anda com muita coisa na cabeça.
Então, segurou o celular na mão e, com um gesto automático, caminhou até o corredor para apagar as luzes, seguindo logo em seguida escada acima.
Quando chegou à porta de Rita, bateu de leve, chamando:
— Senhora?
No entanto, não houve resposta.
Ela esperou por um momento e, como ainda não houve retorno, bateu novamente, dessa vez um pouco mais alto, franzindo a testa enquanto tentava captar qualquer som vindo de dentro.
Porém tudo que obteve, foi o silêncio.
No mesmo instante, Bridget franziu o cenho, intrigada. "Sua patroa havia subido há menos de quatro minutos, portanto, parecia improvável que já estivesse dormindo, embora talvez estivesse mais cansada do que ela imaginava."
— Bom. — Murmurou para si mesma. — Posso entregar o celular amanhã.
Ela chegou a dar alguns passos para voltar ao quarto, mas parou de repente e virou-se outra vez para a porta, considerando que seria mais prático deixar o celular no criado-mudo de Rita se ela acordasse no meio da noite.
Com cuidado, empurrou a porta, tentando não fazer barulho, e assim que entrou foi recebida pela penumbra suave do cômodo, mas o que viu em seguida a fez paralisar no lugar.
O coração de Bridget pareceu congelar por um instante ao ver a cena: sua patroa jazia sobre uma poça de sangue, o corpo curvado de maneira anormal, com as mãos pressionando o abdômen enquanto lutava para respirar.
— Meu Deus. — Sussurrou, sentindo o estômago revirar de horror. Levou a mão à boca, avançando e tremendo, sem conseguir desviar os olhos da cena.
— Senhora? Quem fez isso com a senhora? — A voz de Bridget falhou, mas ela não teve tempo de pensar em nada.
Os olhos de Rita procuraram fracamente, tentando focalizar com o rosto contorcido de dor.
Bridget se apressou, com as mãos trêmulas, e puxou o celular do bolso. Ligou para o SAMU com os dedos sacudindo de nervosismo.
— Por favor… — Implorou assim que a ligação foi atendida. — Mandem uma ambulância... Mandem ajuda! Minha patroa está sangrando… Acho que foi esfaqueada! Encontrei ela no quarto... E está perdendo muito sangue!
Sua voz tremia enquanto tentava formular as frases com clareza, mas a adrenalina dificultava até mesmo respirar.
— Mantenha a calma, senhora. — Disse a voz tranquila da atendente, embora isso não fizesse nada para conter o pânico crescente de Bridget. — Já estamos enviando ajuda. Enquanto isso, tente aplicar pressão no ferimento para conter o sangramento.
Bridget assentiu, mesmo sabendo que do outro lado da linha ninguém podia vê-la. Então, largou o telefone no chão e puxou rapidamente um dos lençóis da cama.
Em seguida, ajoelhou-se ao lado de Rita e, com as mãos tremendo, afastou as mãos da patroa de cima do ferimento, substituindo-as pelo lençol, que logo começou a se tingir de vermelho.
— Vai ficar tudo bem. A senhora vai ficar bem… — Sussurrou, tentando desesperadamente manter a calma.
Rita gemeu, com os olhos quase fechados.

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