O quarto permaneceu em silêncio por alguns instantes após o anúncio do médico, enquanto os olhos de Juana brilharam com lágrimas ao erguer o olhar para ele.
— Obrigada. — Sussurrou com a voz trêmula de emoção. — Muito obrigada.
Ao despertar e perceber que não conseguia mover as pernas de imediato, ela ficara verdadeiramente apavorada, mas aquela notícia lhe devolvera uma esperança imensa.
Nesse instante, o médico lhe ofereceu um sorriso gentil.
— Você é uma guerreira, Sra. Juana, mas lembre-se, nada de estresse. Descanse se sua cabeça começar a pesar e, se piorar, nos avise imediatamente.
Juana assentiu enquanto as lágrimas escorriam por seu rosto, e Thalassa e Luisa trocaram um olhar antes de falarem em uníssono, com gratidão na voz:
— Obrigada, doutor.
Ele assentiu mais uma vez e se retirou, deixando as três mulheres a sós.
Luisa e Thalassa se aproximaram e se posicionaram de cada lado da cama, enquanto a primeira pousava a mão com delicadeza sobre a dela.
— Estou tão feliz por ver você acordada e bem. — Disse suavemente, com a voz carregada de alívio.
Thalassa, por sua vez, mordeu os lábios.
— Juana, eu não sei nem como expressar o quanto sou grata por você ter salvado minha vida, mas... — Sua voz vacilou quando a culpa começou a tomar conta de sua expressão. — Eu queria que você não tivesse se colocado em tanto perigo. Sinto muito por isso ter acontecido com você.
Juana balançou a cabeça lentamente, mantendo o olhar firme apesar da fragilidade.
— Não, Lassa, não peça desculpas. Eu não me arrependo. Faria tudo de novo se fosse preciso. — Ela fez uma pausa e seu olhar se aguçou. — Mas eu realmente gostaria de saber se o desgraçado que dirigia feito um lunático foi preso.
— Foi, sim. — Garantiu Thalassa.
Juana arqueou uma sobrancelha, deixando a curiosidade transparecer nos olhos.
— Quem era?
Antes que Thalassa pudesse responder, o olhar de Juana mudou ao encará-la com mais atenção e sua expressão se transformou quando realmente observou sua chefe.
— Espere um pouco… — Disse com a voz mais suave, enquanto a preocupação se insinuava. — Por que você está com essa cara de quem chorou? Foi... Foi por minha causa?
— Não. — Respondeu Thalassa rapidamente, balançando a cabeça. — Não foi por você.
Juana franziu o cenho.
— Então o que foi? O que aconteceu?
Thalassa hesitou, desviando o olhar, enquanto os lábios tremiam como se estivessem segurando uma onda de emoção. Como ela não conseguiu se pronunciar, Luisa assumiu e revelou:
— Nós... Nós perdemos a Rita.
A expressão de Juana se carregou de confusão.
— Rita Blade?
Luisa assentiu, e a garganta de Thalassa se apertou quando Juana voltou a encará-la, deixando a compaixão brilhar em seu olhar.
— Lassa, sinto muito pela sua perda. Eu não a conhecia bem, mas sei que ela era muito importante para você. O que houve? Ela ficou doente?
Thalassa fechou os olhos por um momento, tentando se manter firme.
Sim, talvez estivesse sendo extrema, mas ela não pretendia correr riscos quando se tratava de seu filho. Assim que o funeral de Rita acabasse, ela iria para Nova Luz ficar com Alex.
Diante da situação, a testa de Luisa se franziu.
— Você acredita mesmo que a Linda seria capaz de ferir o próprio neto? Digo, uma coisa era ela não querer que você ficasse com ele anos atrás, quando ainda estava grávida, mas... — Ela hesitou. — Será que ela faria mesmo mal ao Alex?
Os olhos de Thalassa escureceram, e sua mandíbula se contraiu.
— Como pode me fazer essa pergunta? Aquela mulher é capaz de qualquer coisa.
— Me desculpa. — Murmurou Luisa, desviando o olhar. — Você tem razão.
Thalassa respirou fundo, tentando manter o controle.
— Também precisamos de seguranças para você.
Luisa ergueu a cabeça na hora.
— Para mim? Por quê?
— Você não percebe? A Linda está mirando nas pessoas que eu amo. E eu não suportaria se algo acontecesse com você por minha causa.
O olhar de Luisa se suavizou, tomado por preocupação.
— Você não pode continuar se culpando por tudo o que a Linda faz. Tem certeza de que ela atacou a Rita por sua causa?
— Que outra razão poderia levá-la a fazer isso? — A voz de Thalassa vacilou, mas ela se obrigou a manter a firmeza. — Você não ouviu o Kris? Ele não contou à mãe que foi a Rita quem entregou as provas. Então, por que a Linda faria isso, senão para se vingar de mim?

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