Kris apertou o telefone com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos contra a superfície lisa, e por alguns segundos o mundo ao seu redor pareceu parar enquanto ele tentava compreender as palavras de Karen.
"Tessa havia sido levada…" O ar faltou em sua garganta quando a realidade cruel o atingiu como um trem em alta velocidade.
— O que quer dizer com "levaram ela"? — Sibilou Kris, com a voz aguda e tomada pelo pânico.
A voz de Karen voltou pelo alto-falante, trêmula e embargada.
— Kris… Eles atiraram no segurança, invadiram a casa com armas nas mãos e ameaçaram me machucar se eu não entregasse a Tessa.
Seu estômago revirou, com um pressentimento horrível retorcendo suas entranhas.
— E você a entregou? — Disparou ele, com a voz rompendo entre a raiva e o desespero.
— Eu não tive escolha! — Chorou Karen. — Eu tentei impedi-los, mas me agrediram... Eu não consegui... — Suas palavras se perderam em meio aos soluços.
Ele passou a mão pelos cabelos, sentindo-se à beira da insanidade.
— Eu te avisei! Eu disse que devia ter deixado ela comigo! — Gritou, com a voz rompendo em emoção bruta, e a fúria mal encobrindo o terror crescente.
— Como eu poderia saber que isso aconteceria? — Retrucou Karen, com a voz tingida de culpa e medo.
Kris fechou os olhos e inspirou profundamente, com o peito trêmulo.
— E os seguranças que você disse que tinha contratado? Onde diabos eles estavam?
— Eles… Eles ainda não tinham chegado. — Gaguejou Karen. — Eu juro, Kris, eu nunca imaginei que algo assim fosse acontecer. Por favor, estou apavorada. Você estava certo. Eu devia ter escutado você. Por favor, venha rápido!
Sua voz falhou na última palavra, e, por um momento, tudo o que Kris conseguiu ouvir foi a batida frenética do próprio coração, enquanto ele deslizava a própria mão pelo rosto.
— Você viu algo? O carro? A placa? Qualquer coisa que ajude a encontrá-los?
A voz de Karen vacilou.
— Era... Preto. É tudo que eu sei. Eu estava desesperada demais para... Eu não consegui... — E, mais uma vez, ela se desfez em soluços abafados.
Kris cerrou os dentes.
— Estou indo agora. — Declarou, encerrando a ligação bruscamente, com a mão tremendo ao abaixar o telefone.
— Levaram minha filha. — Murmurou, com a voz oca, enquanto encarava Thalassa como se ela não tivesse acabado de ouvir toda a conversa no viva-voz.
Thalassa assentiu, com o rosto pálido, mas sereno.
— Eu sei. — Disse suavemente, embora suas mãos cerradas no colo traíssem a calma aparente.
Kris abriu a boca para falar, mas vacilou.
— Eu... Eu sinto muito, mas...
— Você não precisa se explicar. — Interrompeu Thalassa, pousando a mão sobre o braço dele. — A Tessa vem em primeiro lugar agora. Sinto muito por tudo. Vá e veja o que pode fazer por ela. Eu vou com você.
Kris a encarou, com a garganta apertada.
— Não, você não precisa vir comigo. — Disse com firmeza. — Depois de tanto tempo esperando para ver o Alex, não seria justo atrasar ainda mais esse momento para você.
Thalassa hesitou. De fato, vinha contando os minutos nos últimos três dias para segurar Alex nos braços e, assim, aliviar a ansiedade que a consumia. No entanto, também sentia um aperto no peito só de imaginar deixar Kris sozinho naquela situação.
— Tem certeza?
— Tenho. — Afirmou ele, com uma convicção que não sentia de verdade. — Vou deixar os seguranças com você. Eles ficarão até seu voo decolar. Assim que a Tessa estiver segura, eu vou me juntar a vocês.
"Se ela estiver segura…" Ele pensou, sentindo o terror apertar sua garganta até quase sufocá-lo.
Os lábios de Thalassa se comprimiram em uma linha fina, mas ela assentiu.
Só de pensar, seu estômago se revirava.
A viagem pareceu interminável, embora não devesse ter durado mais do que alguns minutos. Assim que o táxi parou diante da residência dos Blade, Kris atirou um punhado de notas ao motorista sem nem contar e saltou do carro.
O céu já escurecia, mas seu coração despencou quando abriu o portão e viu o segurança caído no chão, com uma mancha carmesim se espalhando no peito.
— Merda! — Murmurou, passando por cima do corpo e correndo para dentro da casa.
O rangido suave da porta entreaberta sob o vento o fez empurrá-la com pressa, sentindo o coração disparado ecoar como um tambor nos ouvidos.
— Karen! — Gritou, e a voz preencheu o silêncio incomum da casa, enquanto ele corria até a sala e parava de súbito ao ver o que havia ali.
Karen e Boatemaa estavam amarradas no chão, com os rostos pálidos e assustados. Ao lado delas, Tessa permanecia sentada, com o rostinho banhado em lágrimas.
— Tessa! — Exclamou Kris, sentindo uma onda de alívio ao correr até ela.
— Papai! — Gritou a menina.
Kris caiu de joelhos, tomado por uma mistura intensa de confusão e alívio.
— Você está bem? Está machucada? — Ele segurou seu rosto, com os olhos varrendo o corpo dela em busca de ferimentos.
Depois, olhou para Karen.
— O que é isso, Karen? Você disse que tinham levado ela...
No entanto, uma dor súbita e lancinante o atingiu na nuca antes que pudesse reagir, arrancando-lhe o fôlego e apagando qualquer pensamento.
— Papai!
A visão escureceu, o corpo cedeu, e ele ainda escutou o grito da filha ecoando no ar antes de perder a consciência por completo.

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