O som constante do motor preenchia o carro enquanto Thalassa se recostava contra o estofado de couro macio, com o telefone pressionado com força contra a orelha.
Ela mal registrava os seguranças sentados à frente, cujas vozes soavam abafadas enquanto trocavam informações sobre medidas de segurança, pois sua atenção estava inteiramente focada na ligação.
Desde que Kris saíra minutos antes, ela tentou discar para Betty sem sucesso, até que, por fim, o toque da chamada conectada rompeu o silêncio que dominava o ambiente.
— Graças a Deus você atendeu, Betty. — Disse Thalassa, com a voz trêmula o suficiente para denunciar o nervosismo.
— Thalassa? — A voz calorosa e familiar de Betty atravessou a linha. — Ah, desculpa, eu estava no banho. Aconteceu alguma coisa? Você parece… Tensa.
Thalassa fechou os olhos e respirou fundo.
— Por favor. — Implorou, com as palavras escapando apressadas. — Me diz que o meu filho está seguro.
Houve uma breve pausa antes que Betty soltasse uma risadinha leve.
— Você já me ligou perguntando isso faz uma hora. O Alex está bem, eu juro, está seguro, tranquilo, e se divertindo muito com aquele carrinho novo que você deu. Mas me fala, o que está acontecendo de verdade? Primeiro vieram os seguranças, agora você está com esse tom preocupado... Tem algo errado?
Thalassa abriu a boca para responder, mas congelou no instante em que o carro freou bruscamente, sendo lançada para frente com o impacto, enquanto o cinto de segurança pressionava seu peito com força e o telefone escapava de sua mão, caindo no chão do carro.
— Mas que merda foi essa? — Exclamou o segurança ao volante, batendo a mão contra o volante com frustração.
Thalassa ergueu o olhar, com o coração disparado, e então viu: um carro preto, velho e com aparência de sucata, havia desviado bruscamente para bloquear o caminho, parando bem à frente deles.
O sangue de Thalassa congelou no mesmo instante em que três homens mascarados emergiram do veículo, armados e avançando com precisão assustadora, e passos marcados por uma determinação implacável.
— É um sequestro! — gritou o motorista, com a voz trêmula de tensão.
Ele tentou colocar o carro em marcha à ré, mas logo percebeu que o outro veículo com os seguranças também estava bloqueado por um segundo automóvel, fechando todas as rotas de fuga.
O motorista praguejou alto.
— Nos encurralaram!
Nesse momento, o segurança do banco do passageiro já havia sacado a arma.
— Senhora. — Disse ele, virando-se para Thalassa. — Apenas fique no carro com a cabeça abaixada, ok? Nós cuidamos do resto.
— Não. — Cortou Thalassa, com a voz mais afiada do que pretendia, sentindo a adrenalina disparar em suas veias. — Me dê uma arma. Eu sei me defender.
— Senhora, isso não…
— Eu pedi para me dar uma arma! — Interrompeu, num tom que não admitia discussão.
A determinação em seu olhar pareceu convencê-lo, e, com um resmungo relutante, ele abriu o porta-luvas e lhe entregou uma pistola.
— Por favor, permaneça aqui dentro. — Insistiu. — E só atire se for realmente necessário.
Com um aceno decidido, Thalassa segurou a arma com força, como se aquela fosse a última barreira entre ela e a morte, e embora os dedos tremessem, ela se obrigou a manter a mente focada. Na sequência, abaixou-se no banco enquanto os dois seguranças deixavam o carro em movimentos ágeis e treinados.
Outro homem mascarado surgiu em seguida e a empurrou para trás, acertando seu rosto com um tapa brutal que virou sua cabeça com o impacto, deixando seus ouvidos zunindo.
— Me solta! — Rosnou, esperneando e se debatendo com fúria.
Ela tentou arranhar os braços do homem com violência, mas a força dele era implacável, e logo outro agressor agarrou suas pernas, arrastando-a para fora do carro enquanto ela lutava sem parar, com a voz já quebrada em gritos roucos e desesperados.
— Segura ela! — Ordenou um deles.
Ao ver o terceiro homem se aproximar com um pano na mão, o pânico a invadiu de novo, e Thalassa se contorceu com mais força, com os olhos arregalados e os pulmões ardendo enquanto gritava por socorro.
Como a estrada principal estava congestionada, os seguranças haviam optado por um caminho alternativo até o aeroporto, e aquela área em que passavam agora estava praticamente deserta.
— Não! Me solta! — Ela sibilou.
O pano foi pressionado contra seu nariz e boca, e o cheiro adocicado e enjoativo do clorofórmio invadiu seus sentidos, fazendo-a tentar prender a respiração e recusar-se a inspirar, embora seu corpo a traísse.
As forças começaram a falhar à medida que o efeito da substância se intensificava, com a visão ficando turva com manchas escuras dançando pelas bordas do campo de visão, e ela tentou resistir, tentou manter a mente desperta, mas sentiu que estava perdendo a luta.
Seu último pensamento antes de a escuridão envolvê-la foi sobre Alex.
"Eu vou te ver em breve, meu amor. Eu prometo."
E então, tudo se apagou.

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