Kris se ajoelhou diante de Tessa, com o coração se partindo ao ver aqueles olhos grandes e inocentes fitando-o em silêncio, esperando uma resposta, enquanto a pergunta dela pairava no ar como um peso impossível de sustentar.
Assim, ele inspirou fundo, lutando para encontrar as palavras certas. "Como poderia explicar algo tão permanente e cruel a alguém tão pequena? Como poderia pegar o mundo brilhante e puro dela e destruí-lo com algumas frases?" Durante todo o caminho até ali ele ensaiara o momento inúmeras vezes, mas cada tentativa o fazia sentir-se ainda mais incapaz.
Kris olhou para Thalassa, que respondeu com um aceno encorajador enquanto pousava a mão sobre seu ombro. Em seguida, ele envolveu com cuidado as pequenas mãos de Tessa entre as suas e, com a voz trêmula, começou a falar:
— Tessa, meu amor… — Disse suavemente, com a voz doce, mas carregada de dor. — A mamãe te amava muito... Mais do que qualquer coisa neste mundo.
Tessa inclinou a cabeça, com o cenho se franzindo.
— Então por que ela ainda não voltou para me ver?
Diante da pergunta, ele sentiu a garganta apertar e a visão embaçar.
— Porque… A mamãe... A mamãe não pode voltar, Tessa. — Ele fez uma pausa, procurando a forma mais simples de dizer. — Ela foi para um lugar que nós não podemos alcançar. Um lugar muito… Muito longe daqui.
Tessa piscou, com a confusão passando por seu rostinho.
— Tipo uma viagem? Ela está viajando?
O peito de Kris se apertou, e a voz dele baixou para um sussurro.
— Não é uma viagem, meu amor. É... — Ele mordeu o lábio e continuou: — Lembra quando a gente falou sobre as estrelas? Sobre como algumas brilham por muito tempo, mas depois adormecem no céu?
Ela assentiu, com os olhinhos se movendo das mãos deles para o rosto do pai.
— Igual quando a gente viu as estrelas no jardim?
— Isso mesmo. — Respondeu com suavidade. — A mamãe era como uma dessas estrelas. Brilhante e linda, e te amava mais do que tudo no mundo. Mas agora... Agora ela adormeceu, meu amor. E não vai voltar. Mas isso não quer dizer que parou de te amar. Ela sempre vai te amar e sempre vai estar nos nossos corações.
Um silêncio profundo, suave e pesado envolveu os dois, fazendo o lábio inferior de Tessa tremer enquanto suas mãozinhas se prendiam às de Kris.
— Então... Então a mamãe está com as estrelas agora?
Kris assentiu devagar.
— Está, meu amor.
Ela inclinou a cabeça outra vez, tentando compreender, até que o rostinho dela se contraiu e as lágrimas começaram a se acumular em seus olhos.
— Então... Eu nunca mais vou ver a mamãe?
O coração de Kris se despedaçou quando a primeira lágrima rolou pela bochecha da menina.
— Não, meu amor. — Sussurrou, puxando-a para seus braços. — Você não vai vê-la de novo. Mas ela está olhando para você lá do céu, e sempre que sentir saudade, pode falar com ela. Ela vai te ouvir.
Tessa enterrou o rosto no peito dele, com os ombros pequeninos tremendo enquanto o choro a dominava.
— Não... Eu quero que a mamãe volte!
Kris acariciou suas costas com ternura.
— Eu sei, meu bem. — Murmurou. — Eu sei que sente falta dela. Mas prometo que você nunca vai ficar sozinha. Eu sempre vou estar aqui com você.
O cômodo permaneceu em silêncio, quebrado apenas pelo som do choro de Tessa, enquanto Boatemaa e Bridget, comovidas, limpavam as lágrimas dos olhos. Thalassa, por sua vez, com a mão sobre a boca, deixou as lágrimas caírem em silêncio ao ver Kris envolver a menina num abraço.

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