— Ah, não, não, não! Você só pode estar de brincadeira. — Resmungou Millicent, tentando girar a chave na ignição pela décima vez, sem sucesso.
"Ela acabara de sair do trabalho, depois de horas extras, e o carro tinha que dar problema justo agora, quando ela mais precisava ir embora!"
Teimosa, continuou tentando ligar o motor. Por fim, o carro chegou a ronronar, mas, no momento em que ela prestes a suspirar de alívio, ele morreu outra vez.
Dessa vez definitivamente, pois, na tentativa seguinte, nem som emitiu.
— Droga! — Praguejou.
Irritada, ela acabou batendo a mão na buzina sem querer e, ao ouvir o barulho estridente, deu um pulo, assustada, mas, logo em seguida, caiu na risada, inesperadamente.
A situação não tinha graça nenhuma, embora ela soubesse que não podia culpar ninguém além de si mesma, já que o carro vinha dando sinais de alerta fazia duas semanas, engasgando, falhando... E ela apenas foi empurrando com a barriga, adiando a ida à oficina, motivo pelo qual agora estava pagando o preço.
Ciente de que não havia mais o que fazer, Millie suspirou e saiu do veículo, decidida a resolver o problema do carro no dia seguinte, já que, naquele momento, só conseguia pensar em chegar em casa o mais rápido possível.
Por isso, trancou o carro e se encostou nele enquanto pegava o celular para chamar um carro por aplicativo, mas franziu o cenho ao perceber que o mais próximo estava a quinze minutos, o que era tempo demais, pois, se se atrasasse ainda mais, certamente seria punida.
Sem perder tempo, ela caminhou até a beira da calçada e ficou torcendo para que algum táxi passasse, no entanto, cinco minutos se passaram e ela ainda estava ali, porque todos os que tentou acenar já estavam ocupados.
Percebendo que não tinha escolha, estava prestes a pedir o carro mesmo assim quando um Bugatti cinza-chumbo estacionou bem à sua frente.
Logo, o vidro se abaixou e, ao ver quem era, seu coração deu um salto.
— Oi. — Disse Zeke, sorrindo de um jeito que o deixava ainda mais bonito. — O que está fazendo parada aqui na rua?
— Meu carro quebrou. Estou tentando pegar um táxi. — Explicou Millie.
— Que droga. — Comentou ele, fazendo um leve biquinho. — Entra aí.
Millie enrijeceu.
— Ah, não precisa. Um táxi serve.
Com isso, o semblante dele se fechou.
— Fui grosso, né? Mandando você entrar assim, do nada. Deixa eu tentar de novo… — Ele sorriu. — Posso te dar uma carona?
— Zeke, não é isso. É só que... — Millie buscou uma desculpa, encontrando a única possível. — Eu não queria te incomodar, já que estava a caminho de algum lugar.
— Que nada. — Ele fez um gesto despreocupado. — Nem sei onde você mora, mas você sabe onde eu moro, então estamos quites. Vai, entra.
Percebendo que ele não desistiria tão fácil, ela suspirou e abriu a porta do banco da frente.
— Impressionante.
Millie revirou os olhos, pois o lugar era modesto e o bairro estava longe de ser algo que despertasse orgulho, completamente diferente do dele.
Entretanto, ela se virou e sorriu com gentileza.
— Muito obrigada por me trazer. Até mais.
Assim que saiu do carro e deu os primeiros passos rumo à porta, ela ouviu o som da porta do motorista se abrindo. Por isso, virou-se depressa e viu Zeke saindo também, o que a deixou confusa e a fez franzir o cenho.
— O quê? — Ele sorriu. — É a primeira vez que venho aqui. Sério que vai me deixar parado aqui fora sem nem me oferecer um café? Que falta de educação, hein?
Por um momento, o coração de Millie bateu fora do ritmo.
— Você... Quer entrar?
— Claro. — Respondeu ele, fechando a porta do carro e caminhando na direção dela. — Quero me sentir em casa.
Ele já estava prestes a passar por ela quando Millie o segurou pelo braço, com a voz tomada por um leve pânico:
— Não. Você não pode entrar comigo.

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