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A Incrível Ex-Esposa do CEO Está de Volta! romance Capítulo 83

— Papai! Papai!

Kris despertou bruscamente ao sentir um corpinho pequeno e macio se jogando com força sobre seu peito. Em seguida, grunhiu ao abrir os olhos, sendo imediatamente atingido pela claridade do cômodo.

— Papai! Papai! — Mãozinhas começaram a bater repetidamente em seu rosto.

— Ai, ai, Tessa. — Ele resmungou ao conseguir, enfim, abrir os olhos e ver a filha deitada sobre seu peito.

Colocando a mão nas costas dela, tentou se sentar, mas uma dor lancinante atravessou sua cabeça, fazendo-o grunhir outra vez.

— Você está doente, papai? — Tessa perguntou, franzindo a testa com preocupação.

— Não. Papai está bem, meu amor. — Kris disse, apesar da dor de cabeça que parecia prestes a partir seu crânio ao meio.

Ao se lembrar dos acontecimentos no clube na noite anterior e de como havia se embriagado até desmaiar, ele quase soltou um palavrão... Até lembrar que a filha estava por perto.

— Tessa, aí está você, sua garotinha arteira. — A babá de meia-idade entrou no quarto pela porta aberta, ofegante de exasperação. — Eu não te disse para não incomodar seu pai?

Em vez de se sentir repreendida, Tessa caiu na risada com sua própria travessura, de modo que Kris acabou sorrindo. Até mesmo a babá não conseguiu manter o olhar severo.

— Boatemaa, está tudo bem. — Kris disse à babá, ao mesmo tempo em que, com dificuldade, conseguiu se sentar, mesmo ofegante e, como se não bastasse, com o hálito terrível causado pelo excesso de álcool.

De imediato, virou o rosto para poupar a filha daquele cheiro insuportável e, logo depois, notou que havia apagado com as roupas ainda no corpo. "Merda, estava mesmo um caco!"

— Papai, onde está a mamãe? — A voz suave de Tessa cortou seus pensamentos, fazendo seu corpo enrijecer.

Uma pergunta tão inocente, mas que torceu o estômago de Kris em culpa. "Como explicaria à filha que mandara a mãe dela para a cadeia? Será que ela entenderia? Como o veria depois disso?"

Seus olhos encontraram os da babá e, pelo olhar piedoso que recebeu, Kris teve certeza de que todos na casa já sabiam sobre a prisão de Karen.

Em seguida, ele voltou a encarar a filha, que ainda o olhava cheia de expectativa.

— Ah, querida, sua... Mamãe fez uma pequena viagem. — Foi a única coisa que conseguiu dizer.

— Viagem? Então quando ela volta? — Tessa insistiu, com a mesma inocência.

Antes que Kris fosse forçado a inventar outra mentira, a babá se aproximou e tirou a menina de cima dele com delicadeza.

— Está na hora do seu café da manhã, meu bem. Vamos deixar seu pai se arrumar.

Ignorando os fracos protestos de Tessa, Boatemaa a carregou para fora do quarto. Assim que a filha saiu, Kris sentou-se lentamente, gemendo de dor.

A dor de cabeça causada pela ressaca já era insuportável, mas não saber como lidar com a situação em relação à filha tornava tudo mil vezes pior.

Logo depois, cerrou os dentes, visivelmente irritado, e se levantou. Em seguida, tomou um Advil e foi direto ao banheiro. Poucos minutos depois, já mais refrescado, vestiu seu terno de sempre, optando, naquele dia, por um cinza.

Mesmo assim, ainda se sentia um lixo, apesar do analgésico, mas sabia que não podia continuar na cama para sempre, já que havia tarefas a cumprir.

Ao sair do quarto, desceu as escadas e respondeu com acenos aos cumprimentos das empregadas, sem demonstrar qualquer interesse em conversar... Até ser interrompido pela voz da sua mãe.

— Filho.

Kris parou por um instante antes de se virar lentamente para encará-la, mesmo sem o menor ânimo para conversar com ninguém naquele momento.

— Mãe.

— Você pulou o café da manhã, e eu preferi não deixar ninguém te acordar por causa do seu estado ontem à noite. Quer que eu peça para as empregadas prepararem alguma coisa?

Kris balançou a cabeça.

— Não, mãe. Estou bem. Obrigado.

Depois de responder, ele deu meia-volta e já se preparava para sair, quando a sua mãe o chamou novamente, fazendo com que parasse no mesmo instante.

— Posso saber para onde você vai?

Kris soltou o ar.

Seus olhares se cruzaram e, após alguns segundos de hesitação, Kris respirou fundo, tomou coragem e começou a caminhar em sua direção.

— Thalassa... Você... Veio registrar as acusações?

Ele tinha certeza de que era exatamente isso que ela havia feito, mas mesmo assim perguntou, na esperança de que ela dissesse alguma coisa... Qualquer palavra.

No entanto, a única resposta que recebeu foi um aceno curto, antes de seus olhos sombrios se voltarem para além dele, fixando-se em Linda. Em seguida, Thalassa virou-se e saiu andando, com Luisa logo atrás.

Kris permaneceu ali, sentindo o peito arder de forma insuportável, enquanto o silêncio e a indiferença dela o destruíam mais do que qualquer palavra poderia fazê-lo.

Alden tinha razão, afinal. Ele não podia permanecer naquela situação por mais tempo, e aquele era, sem dúvida, o momento certo.

— Mãe, já volto. — Disse, antes de também seguir em direção à saída.

Assim que Kris saiu, um sorriso se formou no rosto de Linda. Aquela era a oportunidade perfeita.

Dessa forma, ela se virou rapidamente para a mulher no balcão.

— Sou Linda Miller, e preciso ver a Karen Blade. Ela é minha nora.

Do lado de fora, Luisa estava claramente incomodada com a presença de Kris e sua mãe, e não fazia esforço algum para esconder.

— Não acredito que ele tentou falar com você como se tudo estivesse normal. Que audácia. — Resmungou. — Ele nem sequer te ligou uma vez para pedir perdão.

— Eu não estou esperando por isso. — Thalassa respondeu com calma. — Ele expôs a Karen por motivos egoístas, ou seja, não porque se importasse comigo. Ele sequer se importa com meu perdão.

— Vocês estão erradas. — A voz de Kris surgiu atrás delas, fazendo as duas pararem.

Ao escutá-lo, Thalassa virou-se lentamente e, naquele momento, encontrou Kris encarando-a com uma expressão carregada de uma emoção que ela não soube nomear, enquanto o pomo de adão dele subia e descia, denunciando sua tensão ao engolir em seco.

— Não há nada que eu deseje mais neste mundo do que o seu perdão... Lassa.

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