— Não há nada que eu deseje mais neste mundo do que o seu perdão... Lassa.
O coração de Thalassa se apertou com força ao ouvir aquele apelido carinhoso. Embora fosse comum entre os que a cercavam, havia algo único na maneira como ele pronunciava: uma rouquidão leve e arejada que, desde sempre, a fazia perder as forças nas pernas.
A última vez que ele a chamara assim fora quatro anos antes, quando ainda eram felizes, antes de se casarem, antes dele se transformar em outro homem.
No entanto, lançando um olhar fulminante, ela rosnou friamente:
— Não me chame assim de novo, Sr. Miller.
Kris engoliu em seco ao perceber a frieza no tom dela, pois sabia que aquilo seria tão difícil quanto havia imaginado. Ainda assim, ao menos agora tinha obtido alguma reação, já que a raiva dela era infinitamente melhor do que a indiferença.
Por isso, arriscou um passo à frente.
— Thalassa, eu sei que te machuquei mais do que qualquer homem jamais machucou, e...
— Qualquer homem? — Luisa zombou. — Qualquer criatura, para falar a verdade.
Naquele instante, Kris teve certeza de que tudo seria dez vezes mais difícil com Luisa presente. Então, inspirando profundamente, ele se corrigiu, sem desviar o olhar de Thalassa.
— Eu sei que te machuquei mais do que qualquer pessoa, e nem sei por onde começar a pedir perdão.
— Talvez você devesse começar pedindo desculpas por tê-la tratado como lixo durante o casamento! — Luisa interrompeu novamente. — Por tê-la chamado de interesseira e vadia. Por tê-la jogado na cadeia. Ou por ter se recusado a acreditar quando ela disse que estava grávida, e mesmo assim ter se divorciado dela e a expulsado de casa no meio da noite! A lista é interminável.
Diante da sua resposta, Kris sentiu a frustração e o desespero crescerem ainda mais, mas sabia que não podia culpá-la. Tudo o que ela dissera era verdade.
— Por tudo isso. Me arrependo de cada uma dessas atitudes. De cada erro que cometi com ela. — Respondeu, com a garganta se fechando.
Luisa, apesar da raiva evidente, permaneceu em silêncio. Kris, por sua vez, voltou a encarar Thalassa, com o coração acelerado, na esperança de que ela dissesse algo.
— Ok. — Ela disse por fim, virando-se imediatamente em direção ao carro, porém Kris foi mais rápido e segurou seu braço.
— Não. Você não pode simplesmente dizer isso e sair andando. Por favor, diga mais alguma coisa… — Implorou.
Thalassa lançou um olhar cortante para o ponto exato onde ele segurava seu braço, de modo que seu semblante endureceu logo em seguida.
— O que você quer que eu diga, Kris?
— Qualquer coisa… — Ele disse com desespero. — Grite comigo. Me chame de idiota, do homem mais estúpido do mundo, mas por favor, diga algo.
— Eu disse tudo o que tinha a dizer da última vez que nos falamos no meu escritório, quando você me mostrou aquelas fotos. Lembra do que eu te falei antes de você sair?

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