— O que você acha, Sr. Phoenix? Essa gravação é suficiente para incriminar Linda Miller? — Thalassa perguntou após reproduzir o áudio para seu advogado, que havia sido recomendado por Zeke algum tempo atrás.
O advogado refletiu por alguns segundos antes de soltar um suspiro.
— Serei honesto com você, Srta. Thompson. O máximo que essa gravação pode causar, por enquanto, é motivar a polícia a levar Linda Miller para interrogatório. Contudo, a menos que Karen Blade possua provas substanciais que confirmem que a Sra. Miller foi realmente responsável por tudo, ela não será presa.
— Ela também pode, e tenho certeza de que vai, entrar com uma contradenúncia alegando que Karen Blade fez essas acusações porque parte da gravação dá a entender que você ofereceu um incentivo para libertá-la, caso ela contasse a verdade sobre a Sra. Miller.
— Está dizendo que essa gravação não tem valor algum? — Luisa questionou, incrédula.
O advogado assentiu com pesar.
— Infelizmente, é isso. Por enquanto, trata-se apenas da palavra de Karen Blade contra a de Linda Miller. Mas, como seu representante legal, farei tudo o que estiver ao meu alcance para alcançar o melhor desfecho.
— Certo. Obrigada, Sr. Phoenix. — Respondeu Thalassa, com a voz tranquila, embora uma tempestade estivesse se formando dentro dela.
— Eu te acompanho até a porta. — Ofereceu Luisa, enquanto o advogado se levantava.
Assim que a porta se fechou atrás dele, Thalassa não conseguiu mais conter os sons pesados que estavam presos em sua garganta.
— Maldita! Maldita! Maldita! — Vociferou, batendo com força o punho sobre a mesa de carvalho.
Com isso, Luisa se alarmou e correu até o lado da amiga.
— Lassa, eu sei que você está irritada, mas, por favor, tente se acalmar.
— Como eu vou me acalmar, Luisa? — Rebateu Thalassa. — Como eu vou me acalmar se aquela mulher continua saindo impune de tudo?
Luisa a olhou com empatia, compreendendo perfeitamente a dor que ela sentia.
— Ela não vai escapar para sempre, Lassa. Tenho certeza de que a justiça será feita em breve.
Antes que Thalassa pudesse dizer qualquer outra coisa, alguém bateu na porta, e Millie entrou.
— Oi. — Cumprimentou, animada, mas logo parou ao perceber que sua energia destoava completamente do clima sombrio no ambiente. — O que aconteceu?
Thalassa se sentia exausta demais para explicar, por isso apenas sinalizou para que Luisa contasse. Sem hesitar, Luisa relatou tudo: a gravação que Thalassa havia feito, os pedidos de perdão de Kris, o fato de ele continuar se recusando a acreditar que a sua mãe era culpada por qualquer coisa, e o que o advogado acabara de lhes informar.
— Mesmo depois de tudo, ele ainda se recusa a acreditar na Thalassa. — Resmungou Luisa.
Millie sabia que estava forçando os limites, mas não conseguiu se calar:
— Lassa, você não está sendo dura demais com o Kris? Afinal, ele nunca ficou parado. Sempre investigou cada prova contra você, mesmo enganado, e mandou prender a Karen por sua causa. Isso não conta como nada?
— Por minha causa? — Thalassa quase riu. — E o que você quer que eu faça, Millicent? Que eu agradeça a ele por ter, finalmente, feito o mínimo? Por ter feito o que deveria ter feito anos atrás?
Diante do olhar repleto de raiva e decepção de Thalassa, Millie perdeu completamente as palavras, pois, por mais que tentasse, não conseguia pensar em mais nada que pudesse dizer.
Logo, Thalassa inspirou fundo, tentando se acalmar.
— Você precisa decidir de que lado está, Millicent. Ou você está com o Kris, ou comigo. Já estou cansada de te ver tentando defender ele o tempo todo.
Dito isso, ela contornou a mesa e saiu do escritório com passos firmes. No instante em que atravessou a porta, uma voz familiar a chamou.
— Lassa.
No momento em que encarou a mulher de meia-idade que estava diante dela, Thalassa congelou, uma vez que a emoção a dominou tão fortemente que sua garganta se apertou.
— Mãe?

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