— Mãe?
A mulher diante dela era Rita Blade, mãe de Karen. Thalassa a chamava de "mãe" porque, no dia em que se conheceram, fora isso que Rita pedira que ela a chamasse.
Ela ainda se lembrava perfeitamente daquele dia. Após perder a própria mãe quando ainda era criança, Thalassa passou de um lar adotivo para outro, sendo rejeitada repetidamente por diferentes motivos, como se nunca fosse boa o bastante.
Contudo, quando chegou à adolescência, graças à sua dedicação e esforço, conquistou uma bolsa de estudos em um colégio de elite... O mesmo que Karen frequentava.
Porém, quase todos os alunos a rejeitavam, zombavam dela e a atormentavam por ser bolsista. Aqueles que não a maltratavam, simplesmente a ignoravam.
Até que, certo dia, durante uma dessas humilhações, Karen apareceu e a defendeu dos agressores. Foi assim que a amizade entre elas começou.
Desde então, tornaram-se inseparáveis, visto que Karen sempre esteve presente, oferecendo ajuda financeira sempre que necessário e, ao mesmo tempo, protegendo-a dos ataques constantes que recebia.
Quando Karen anunciou que queria que Thalassa conhecesse seus pais, ela ficou extremamente nervosa, com medo de ser novamente desprezada. No entanto, Rita Blade fora completamente diferente do que imaginava.
— Sra. Blade, é um prazer conhecê-la. — Thalassa recordava-se de ter dito.
A mulher, porém, balançara a cabeça de imediato e, com um olhar repleto de carinho e ternura, respondera:
— Não. Não me chame assim, querida. Me chame de mãe. Dado que a Karen sempre a enxergou como a irmã que tanto desejou, eu te considero como minha própria filha.
E, de fato, desde aquele momento, passou a tratá-la como tal. Thalassa passou a passar as férias na casa dos Blade, onde tinha seu próprio quarto. Era como experimentar, pela primeira vez, o verdadeiro significado de ter uma família.
— Querida. — Disse Rita Blade, com os olhos brilhando de lágrimas contidas, antes de se aproximar e envolver Thalassa num abraço apertado. — Ah, querida, é tão bom te ver de novo.
Ainda surpresa com a visita inesperada, Thalassa apenas retribuiu o abraço, sem conseguir dizer uma palavra. Elas ficaram abraçadas por um longo minuto, até que Rita, enfim, afastou-se e segurou o rosto dela entre as mãos.
— Olha só para você! Está radiante! Estou tão feliz em ver você bem, tão linda… — Comentou com entusiasmo. — Já faz tanto tempo... Senti muito a sua falta!
Aquelas últimas palavras apertaram dolorosamente o peito de Thalassa. Por mais que estivesse feliz em revê-la, ela não conseguiu conter o amargor que aflorou em sua voz.
— Desde que me prenderam, você sequer apareceu uma única vez.
Na mesma hora, a expressão de Rita se desfez, deixando evidente tanto a culpa quanto a tristeza em seu olhar enquanto ela assentia:
— Sim, você tem razão. Mas... — Ela desviou o olhar para Juana e, logo em seguida, para Luisa e Millie, que acabavam de sair do escritório de Thalassa. — ...podemos conversar a sós?
Thalassa apenas assentiu. Com isso, Luisa e Millie se afastaram, e ela e Rita entraram na sala, fechando a porta atrás de si.
Uma vez sozinhas, nenhuma delas fez menção de se sentar, e Thalassa ficou imóvel em silêncio, à espera de que Rita dissesse o que precisava.
Logo, a mulher mordeu os lábios com nervosismo antes de finalmente falar:
— Eu... Eu sei que você deve estar muito decepcionada comigo por eu nunca ter aparecido depois daquilo. E, acredite, eu também estou decepcionada comigo mesma, já que me deixei convencer de que era o melhor a se fazer.
Thalassa franziu o cenho.
Quando, por fim, se separaram, um silêncio se instalou entre elas. Logo, Thalassa percebeu, pela maneira como Rita mexia nervosamente os dedos, que ainda havia algo que queria dizer, mas não sabia como.
— O que mais você quer me dizer, mãe? — Perguntou, mantendo a calma, mesmo com a apreensão que começava a crescer em seu peito. Ela só esperava que não fosse o que estava imaginando…
— Eu fui visitar a Karen hoje. — Disse Rita, de forma repentina.
Com isso, Thalassa enrijeceu, embora tenha mantido o rosto inexpressivo.
— Entendi…
Rita continuou mexendo nos dedos, olhando para baixo, como se não conseguisse encarar os olhos dela.
— Ainda estou em choque. Não consigo aceitar que ela tenha feito algo do tipo contra você. Foi como encarar uma pessoa totalmente estranha para mim.
Thalassa permaneceu em silêncio, sabendo que aquilo não era tudo. E estava certa.
— Mas ela se arrepende… — Continuou Rita. — Disse que está cheia de remorso, arrependida até a alma, e que necessita muito do seu perdão. Está profundamente angustiada pelo que fez.
Finalmente, Rita ergueu os olhos, e as lágrimas que até então estiveram contidas começaram a escorrer em filetes salgados pelo rosto, revelando toda a sua dor.
— Querida, eu sei que o que vou te pedir não é fácil, e que, na verdade, é extremamente injusto da minha parte. Mas não consigo evitar. Por favor, Lassa, se puder, perdoe a Karen pelo que ela te fez e retire as acusações contra ela…

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Incrível Ex-Esposa do CEO Está de Volta!