Clark a observava, aguardando por uma resposta. Uma resposta que não veio, pois Thalassa rapidamente mudou de assunto.
— É melhor a gente sair daqui antes que aquele desgraçado volte, não acha? — Disse ela.
Clark assentiu, entendendo que ela não queria falar sobre o ocorrido.
— Precisamos denunciar isso à polícia.
— Claro. Mas vamos ao hospital primeiro, Clark. — Respondeu, com a voz indiferente.
Com a chave, Clark destravou a porta do carro, mas, antes que pudesse abrir o lado do motorista, ela pegou a chave de sua mão.
— Eu dirijo.
Contudo, ele não protestou.
— Tudo bem, mas preciso pegar uma coisa.
Na sequência, ele abriu a porta e apanhou o que parecia ser um guardanapo. Enquanto isso, Thalassa o observou com atenção, vendo-o se abaixar com dificuldade e, gemendo de dor, recolher tanto a arma quanto a faca usando o pano.
— O que você está fazendo?
— Isso é uma prova. Podemos entregar à polícia quando fizermos o boletim.
Thalassa franziu os lábios antes de lembrá-lo:
— Ele estava usando luvas, Clark. Não vai ter digitais para rastrear.
Clark ponderou.
— É verdade, mas nunca se sabe. Talvez a polícia consiga rastrear a bala. E, de qualquer forma, não podemos deixar que quem fez isso saia impune.
-
— Ai, meu Deusss… — Grunhiu Clark, se encolhendo antes mesmo de a agulha tocar sua pele.
Naquele momento, eles estavam em uma ala do hospital, e ele estava sem camisa para expor o corte no torso, que não era profundo, mas ainda assim precisava de pontos.
Cada vez que a médica aproximava a agulha, ele recuava. No entanto, em vez de perder a paciência, a doutora parecia apenas se divertir com aquilo.
— Não vai doer, eu prometo. — Assegurou ela. — Ou, pelo menos, não muito.
— Está vendo? Eu falei! Isso significa que vai doer, sim! Doutora, não dá para dizer que meu corte vai sarar sozinho? — Reclamou Clark, apontando com o queixo para Thalassa, que estava sentada na cadeira ao lado, esperando que ele terminasse para que pudessem ir embora.
— Não. Você já está aqui, então vamos resolver isso de uma vez, certo?
Ao tentar aproximar a agulha novamente, ele estremeceu e segurou a mão dela. Do lado, Thalassa achou graça.
— Clark, desde quando você tem medo de agulha?
— Quem não tem medo dessas coisas não é normal.
A médica riu, divertida.
— Viu só? Mal sentiu depois do primeiro ponto.
Ele soltou uma risadinha.
— Que absurdo... Eu realmente sou tão covarde assim?
— Por falar nisso, quando ele precisa voltar para tirar os pontos? — Thalassa perguntou.
— Ah, esqueci de mencionar. Esses pontos são absorvíveis, então ele não precisa voltar. Eles vão se dissolver em alguns dias. — Explicou a médica, antes de se retirar da sala.
— Você deve estar me achando um frouxo agora. — Disse Clark, envergonhado, depois que a doutora saiu.
Ela bufou.
— Você não é o primeiro homem com medo de agulha.
— Não é só isso… — Murmurou Clark, com a voz mais baixa. — Estou falando do cara que te atacou lá fora. Eu deveria ter te protegido, e quem acabou levando pontos fui eu. Me desculpa.
Considerando o contexto, Thalassa balançou a cabeça e respondeu com sinceridade:
— Não, Clark. Você arriscou sua vida por mim. E, se isso não é coragem, eu não sei o que é. Agradeço de verdade.

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