— Clark! — Gritou Thalassa, com o pânico cintilando em seus olhos, ao imaginar que ele havia sido esfaqueado no estômago.
Ao lado, Clark fez uma careta, mas tentou se manter de pé, com a mão apertando o lado do corpo. A faca havia apenas rasgado o lado esquerdo do torso e, embora o corte não fosse profundo, o sangue já empapava a camisa azul que ele usava.
— Eu... Eu estou bem. — Murmurou entre os dentes cerrados.
Mas o homem não hesitou. Voltou sua atenção para Thalassa, investindo contra ela mais uma vez com a faca em punho. Desta vez, no entanto, Thalassa estava preparada: desviou do golpe e agarrou o braço dele, usando o impulso do agressor contra ele mesmo.
Os dois lutaram pelo controle, com a lâmina reluzindo sob a luz fraca, até que ela conseguiu torcer o punho dele, forçando-o a soltar a arma. Então, com um chute rápido, afastou a faca para longe, tirando-a do alcance, e logo depois cravou o joelho no estômago do homem, derrubando-o no chão.
Assim, agarrando-o pela frente da camisa, Thalassa o prensou contra o carro, ofegante e furiosa.
— Quem te mandou? — Rosnou, com o rosto a poucos centímetros da máscara dele.
Diante do silêncio do homem, ela levou a mão ao topo da máscara que cobria todo o rosto dele e, diferentemente da última vez, quando o agressor escapara sem que ela o identificasse, decidiu que dessa vez não o deixaria sair impune.
Porém, quando estava prestes a arrancar a máscara, ele a empurrou com um surto inesperado de força. Com isso, Thalassa tropeçou, perdendo o controle sobre ele, e o homem aproveitou para fugir, deixando as armas para trás.
— Droga! — Xingou ela, empurrando o corpo para se levantar. No entanto, quando estava prestes a correr atrás dele, o gemido de dor de Clark a deteve de imediato.
— Thalassa, espera. — Ele arfou, escorregando contra o carro, ainda com a mão pressionando o ferimento. — Não vá atrás. Ele pode te machucar.
Por um breve momento, ela vacilou, dividida entre a ânsia de perseguir o agressor e a necessidade de ajudar Clark. Ainda que a vontade de alcançá-lo fosse intensa, a prioridade era Clark, que claramente precisava dela com mais urgência. Dessa forma, virou-se sem demora, aproximando-se depressa e se agachando ao lado dele.
— Você está bem? Deixa eu ver… — Falou, enquanto puxava com delicadeza a mão dele a fim de examinar o corte. Havia sangue, mas a ferida não parecia profunda.
— Estou bem. — Garantiu ele, endireitando o corpo. — O que importa é você. Está tudo certo com você?
— Sim. — Respondeu ela, com o olhar se tornando mais duro. — Por que você teve que se meter, Clark? Ele poderia ter te machucado ainda mais. Além disso, eu estava no controle da situação... Teria conseguido desviar da faca.
Clark ficou surpreso com a reação, já que imaginava que ela estaria em choque ou, no mínimo, abalada após o que havia acontecido. Contudo, em vez disso, o que encontrou no rosto dela foi pura frieza... Uma frieza precisa, calculada.


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