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A Luna Amada do Alfa Sem Coração romance Capítulo 114

Ponto de vista de Gideon

Tomei um gole do meu café no salão da alcateia tarde naquela noite e esperei o relatório de Tegan sobre minha Luna desaparecida. Mesmo àquela hora, sempre havia lobos entrando e saindo por assuntos da alcateia. Eu estava cercado de movimento, mas nada daquilo se comparava ao tumulto que eu sentia por dentro.

Avery e Dierdra tinham se afastado de mim, cada uma à sua maneira amarga, e talvez uma versão anterior de mim tivesse recebido bem a ausência de distrações, mas eu havia me acostumado à companhia delas, e agora me sentia estranhamente privado de algo.

As palavras de Avery continuavam ecoando nos meus ouvidos. Ela as havia lançado contra mim com a eficácia de um balde de água gelada, e elas vinham me atravessando repetidamente nas horas desde então, resfriando-me até os ossos.

“Eu nunca quis ser sua Luna.”

Ela me confundia, me deixava completamente perplexo. Ali estava ela, tendo recebido o mundo, e ainda assim não era bom o bastante. Eu não conseguia compreender o que mas ela queria de mim, da nossa relação. Para alguém que parecia tão simples, ela estava se revelando devastadoramente complicada.

E Dierdra... Ela era afiada como o estalo de um chicote e igualmente dolorosa quando atacava. Acusou-me de querer usá-la, mantê-la escondida, e nada poderia estar mais longe da verdade. A única coisa que eu sentia por ela era obrigação e pena.

Eu não podia deixar minha verdadeira companheira saber que estava tendo dificuldade para me sentir conectado a ela. Amanhã, eu precisaria ir me desculpar, pedir que voltasse para a casa da alcateia, onde pertencia. Não ficaria bem para a companheira do Alfa ser vista morando separada na vila.

A presença de Dierdra era semelhante a unhas arranhando um quadro-negro. Ela parecia intrusiva e abrasiva. Eu só podia culpar o fato de ter demorado demais para encontrá-la.

A garota com quem eu tinha acasalado na floresta não tinha sido nada parecida com a companheira que apareceu, e eu lamentava que minha incapacidade de encontrá-la mais cedo tivesse causado aquela mudança. O renegado que a manteve cativa devia ter quebrado algo nela.

Tentei conversar com meu lobo sobre Dierdra, mas só senti um eco dos meus próprios pensamentos perplexos. Ele não tinha nenhuma percepção, nenhuma certeza. Tinha ressoado mais com Avery na nossa noite de núpcias do que quando Dierdra estava em meus braços, e isso me frustrava.

Ainda assim, ela carregava minha marca. Minha mordida.

Admito que descontei nele por me arrastar para aquela confusão. Se ele não tivesse sucumbido ao cio de acasalamento, não estaríamos naquela situação.

Então senti remorso.

Capítulo 114 1

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