A culpa me invadiu outra vez. Se eu tivesse conseguido intervir, poderia tê-la salvado daquilo.
— Vou vê-la. — Falei, e estendi a mão para a maçaneta.
Um dos curandeiros estendeu a mão para me impedir. Ergui uma sobrancelha para ele.
— Alfa, o senhor deve saber que ela está delirando de febre. Está balbuciando coisas sem sentido. Eu recomendaria voltar quando ela estiver menos... Agitada?
— Tomei nota de suas preocupações. — Falei brevemente, e abri a porta.
Vi os curandeiros trocarem olhares por cima da minha cabeça, mas não tentaram me impedir novamente.
As cortinas estavam fechadas no quarto, deixando-o em uma escuridão sombria, com apenas um pequeno abajur ao lado da cama. Avery jazia pálida sobre a cama, os cabelos espalhados ao redor dela como uma auréola. Parecia adormecida, mas seus cílios tremulavam contra as bochechas com os movimentos rápidos dos olhos em seus sonhos.
De vez em quando, ela murmurava ou estremecia. Quase não parecia estar tendo um descanso sólido.
Seu braço estava enfaixado, embora o sangue já estivesse encharcando o linho branco impecável. Inclinei-me sobre ela e toquei sua outra mão com delicadeza, pensando em acalmá-la, mas seus olhos se abriram de repente e ela quase saltou da cama, lutando como uma gata selvagem.
— Calma, calma. — Usei meu tom de Alfa mais tranquilizador e autoritário. — Você está segura.
— Você vai ter que me matar! — Avery gemeu.
A princípio, pensei que ela dissesse aquilo por causa da dor e estava prestes a chamar os curandeiros, quando ela continuou:
— Eu não vou ajudá-lo a ferir Gideon. Mesmo que ele não me ame.
Congelei quando ela disse meu nome.
Quem ela achava que eu era?
— Eu não vou gerar seu herdeiro! — A voz de Avery estava angustiada. — Você pode se chamar de rei, mas eu sei que é um demônio! Eu nunca vou trair meu Alfa!
Ela achava que eu era o Rei dos Renegados? Devia estar afundada nas profundezas da febre.

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