Ponto de vista de Avery
Depois da visita desagradável de Jessica, senti como se até minha esperança mais improvável tivesse sido destruída. Escrevi a carta como ela pediu, embora doesse ter que escrever meu falso testemunho sobre seu caráter.
Nem tudo era mentira. Eu não tinha dúvida de que crueldade, orgulho, tenacidade e ambição eram características admiráveis para muitos. Sem dúvida, quando queria alguma coisa, Jessica podia ser extremamente persuasiva.
Mas eu também não a quereria como MINHA colega de trabalho.
Quando ela finalmente foi embora, depois de me obrigar a fazer três revisões que a pintavam em tons cada vez mais elogiosos, eu estava exausta.
Quando acordei, havia uma convidada desagradável sentada à minha mesa.
Minha irmã, Zara.
Eu não fazia ideia de como ela tinha conseguido entrar. A ideia de que estava sentada ali enquanto eu dormia era extremamente desagradável. Ela também sabia disso.
Seu sorriso presunçoso de gata era astuto e calculista enquanto me observava lutar para me sentar com o braço ferido.
— Você está bem acabada. — Comentou, observando minhas várias bandagens e os arranhões e hematomas ainda em cicatrização. — Deve ter sido muito descuidada. Tsc, tsc.
Eu tinha certeza de que ela sabia muito bem que os ferimentos que eu tinha sofrido eram resultado do ataque do Rei dos Renegados.
— Por que você está aqui? — Rosnei, minha voz rouca de sono. — Você não tem permissão para estar em terras de Nightwolf.
— Não tenho? Quando nossas alcateias têm uma aliança antiga? — Os olhos de Zara brilharam. — Acho que você deve estar exagerando. Não tive problema algum para passar direto pelas sentinelas.
Sem dúvida, ela os tinha coagido com sua beleza ou, pelo menos, com subornos. Ou, um pensamento horrível cruzou minha mente, talvez Gideon estivesse realmente pronto para ficar do lado de Silvermoon. Aquilo seria o insulto definitivo, mostrando que ele nunca tinha se importado de verdade com meu sofrimento.
Ele sabia do abuso que tinha sido cometido contra mim, principalmente pelas mãos de Zara. Se estava disposto a fechar os olhos para a captura da minha mãe pelo Rei dos Renegados, também estaria disposto a deixar meus algozes continuarem devastando minha vida?
Se Zara realmente tinha entrado com a permissão de Gideon, então a resposta seria sim.
— Vá embora. — Exigi, embora minha voz soasse fraca e impotente até para mim.
— Acredite em mim. — Zara enrugou o nariz. — Eu não quero passar mais tempo na sua presença do que o necessário, mas vim por preocupação.
— Isso não parece coisa sua. — Falei, desconfiada, sentando-me à beira da cama e encarando-a. — Preocupação com o quê?
Hesitei em perguntar, mas, é claro, não havia como evitar. Qualquer coisa horrível que Zara tivesse vindo fazer ali, ela não iria embora até cumprir seu objetivo.
— Ora, preocupação com sua mãe, é claro. — Ela disse, docemente, puxando uma tela da bolsa e estendendo-a para mim.
Minha mãe?
O pavor me inundou enquanto eu estendia a mão para pegar o tablet de Zara. Um vídeo estava passando na tela. Contra a minha vontade, meus olhos absorveram o que as imagens me mostravam.
Era uma imagem de uma cela. O tipo de vídeo de circuito fechado que poderia ser gravado em uma loja, ou posto de gasolina, ou algo assim. A marcação de data e hora na parte inferior era daquela semana.
A cela mostrava uma mulher sentada sobre a terra nua. Não havia cama nem cadeira. Apenas um vaso sanitário simples em um canto. Ela tremia, com um único cobertor, e estava imunda.
Quando virou o rosto, vi que era minha mãe.
— Como você ousa? — Virei-me para Zara, furiosa. — Solte-a imediatamente!
— Bem, é claro que eu estaria disposta a fazer isso... — Zara sorriu de forma desagradável, arrancando o tablet da minha mão. — Por um preço.

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