— E se eu precisar ir embora? — Perguntei, olhando para ele de olhos arregalados. — Você pode me ajudar com isso também?
— É claro! — Reynaud pareceu ofendido por eu sequer precisar perguntar. — Luna Avery, qualquer alcateia se consideraria sortuda por tê-la. Se, depois de tudo que passou, decidir construir seu lar em outro lugar, quem poderia culpá-la?
As mãos dele deslizaram pelos meus ombros, com apenas uma sugestão de carícia, e havia um calor ardendo em seus olhos quando disse:
— E, se me permite a ousadia, encontro-me precisando de uma Luna digna. Não tenho expectativa alguma, é claro! Mas consideraria a mais profunda honra se você decidisse partir e assumir essa posição na minha alcateia.
Sua voz ficou mais ofegante enquanto seus braços me puxavam para mais perto de seu corpo magro e poderoso.
— Você seria tratada como uma rainha, como sempre deveria ter sido.
A tensão cresceu no cômodo, e senti meu coração martelar no peito enquanto encarava o rosto dele tão perto do meu, suas mãos grandes e poderosas sobre minha pele, o calor dele me envolvendo. Era inebriante sentir-me desejada daquele jeito. Não apenas como mulher, mas como Luna, como alguém útil e importante.
Observei os lábios de Reynaud se abrirem, seu rosto se inclinando em direção ao meu. Estávamos tão próximos agora que eu podia sentir sua respiração se misturando à minha nas minhas bochechas.
Ele ia me beijar?
De repente, o cômodo pareceu quente. Eu não tinha certeza se era por causa da intensidade de Reynaud ou por causa da seda e do tule que ainda envolviam meu corpo.
— Preciso pensar. — Arfei, sem fôlego.
Por um longo momento, Reynaud me observou, então deu um passo para trás visivelmente relutante, enfiando as mãos nos bolsos de seu terno bem cortado.
— Claro. — Ronronou com solicitude. — Vejo que a sobrecarreguei, e peço desculpas. Estar em sua presença me afeta... Intensamente.
De fato, pude ver que ele também parecia ligeiramente corado, as roupas agarrando-se de forma sugestiva ao corpo firme.

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