Recompus minhas feições de volta ao que eu considerava meu “rosto de Luna”. Altiva e impassível, ou tentando ser, enquanto atravessava aquele grande campo minado social e conseguia chegar, ilesa, à outra margem.
Havia bastante gente agrupada ao redor do buffet de refrescos. Lobos eram um povo faminto, afinal. Examinei as bandejas de aperitivos com uma apreciação simbólica pela arte das apresentações. Meu estômago, porém, estava em nós e se opunha com veemência à ideia de comida.
Eu também tinha comido pouco no almoço. O estresse tinha enchido minha barriga como uma pedra, sufocando meu apetite o dia inteiro. Eu tinha certeza de que o álcool que estava prestes a consumir me atingiria como uma tonelada de tijolos, mas, de forma imprudente, alcancei uma taça de vinho espumante mesmo assim.
Talvez, se eu bebesse aquilo depressa, conseguisse atravessar o que estava por vir envolta em uma névoa agradável.
— Luna Avery. — Uma voz ronronou sobre meu ombro.
Sobressaltei-me, quase derramando o par de taças delicadas em formato de tulipa que segurava nas mãos. Quando me virei, encontrei-me perto, perto demais, de Reynaud, que sorria para mim de cima com um ar lupino.
— Alfa Reynaud. — Falei, perturbada pela proximidade dele. — É bom vê-lo de novo.
— É muito bom vê-la também. — Os olhos dele desceram até meu decote elegante, porém conservador, e voltaram ao meu rosto com um sorriso lento. — Mesmo que seja menos de você do que da última vez.
Corei intensamente e tentei recuar, lançando um olhar ao redor para ver se alguém ouvia nossa conversa.
— Ora, não quero constrangê-la. — Ele disse depressa. — Você fica linda em qualquer vestido, é claro. Eu teria que ser cego para não apreciar aquilo que escolhe oferecer, e teria que estar morto para não desejar mais...
Sua bajulação era tão suave quanto seu tom, e tão suave quanto suas mãos enquanto deslizavam furtivamente contra minhas saias quando fiquei pressionada contra a mesa.
— Perdoe-me, eu só estava levando estas bebidas de volta para Gideon. — Falei com dificuldade, sentindo-me bastante sufocada na companhia entusiasmada de Reynaud.
— Ah? — Suas sobrancelhas se ergueram, e ele olhou para o champanhe que eu segurava e depois de volta para mim, uma sobrancelha arqueada quando percebeu o significado das minhas palavras. — Então, por favor, não me permita detê-la por mais tempo.
Ele deu um passo para trás, dando-me espaço para me mover e respirar.
— Obrigada. — Murmurei, enquanto começava a voltar para Gideon, do outro lado do salão.
— Certamente. — Reynaud disse, sua expressão afiada e cheia de desejo. — Espero que aproveite a pauta de hoje. Sei que eu aproveitarei.
Perturbada, levei meu tempo contornando a multidão. Parei por um momento para me livrar do frasco no bolso, lançando-o, vazio, dentro de uma planta em vaso. Pareceu como se eu estivesse soltando um peso enorme que vinha me arrastando para baixo.
Então, sentindo-me de repente tão efervescente quanto as bolhas na minha taça, fixei um sorriso no rosto e encontrei meu lugar ao lado de Gideon.

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