Ponto de vista de Avery
Pegar Dierdra voltando do que claramente era algum tipo de escapada foi como Natal antecipado. Ela estava com uma aparência suspeita e distraída quando saiu do veículo da alcateia no estacionamento, e se sobressaltou quando a encurralei no caminho.
Agora, tentava gesticular para a barriga de gravidez como um método de me fazer recuar. No entanto, até suas próprias tentativas de apelar para minha natureza mais elevada eram prejudicadas pela dúvida em seu rosto.
Era como se nem ela mesma acreditasse.
Pela primeira vez, olhei de verdade para seu corpo, para o inchaço de sua barriga sob o vestido. Seria possível que estivesse fingindo a gravidez? Ou, pelo menos... Exagerando-a?
Aquilo me enojava. Eu tinha a firme opinião de que filhotes e suas mães deveriam ser protegidos e receber conforto, mas também jamais poderia usar um filho meu como moeda de troca ou escudo. Era nosso dever proteger os indefesos, não nos esconder atrás deles.
As repetidas tentativas de Dierdra de usar a gravidez como dissuasão eram repugnantes.
— Escute aqui, sua vadia. — Ela choramingou para mim. — Você não sabe com quem está mexendo...
— Nem você. — Falei, entrando em seu espaço. — Por quanto tempo acha que consegue manter essa farsa? Vai chegar um momento, em breve, em que todas as suas mentiras serão reveladas.
Ela zombou do meu aviso, mas vi um traço de medo real em seus olhos. Duvidava que fosse por causa das minhas palavras, então devia ser outra coisa. Ou outra pessoa.
A reunião dela não tinha corrido bem?
— É, bem, você também tem muitos segredos! — Dierdra cuspiu de volta. — Age como se fosse tão superior, mas é tão ruim quanto eu.
Eu apenas pisquei para ela.
— Eu só tentei agir como uma boa Luna. — Falei, de modo objetivo. — Cometi erros, mas aprendi com eles. Quaisquer coisas ruins que tenham acontecido com você foram resultado das suas próprias escolhas. Você sabe disso, certo?
Dierdra não gostou da resposta, e seus lábios manchados se ergueram sobre os dentes em um rosnado, mostrando os caninos afiados. Ela estava ficando meio selvagem. O que quer que a tivesse atingido devia tê-la abalado de verdade.

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