Ponto de vista de Avery
— Alguém tem algo que deseje confessar?
Gideon disse as palavras em voz baixa, do mesmo jeito que alguém comentaria sobre o tempo ou sobre um time favorito, mas a intenção por trás delas carregava todo o peso de um homem mascarado segurando um taco de beisebol.
O efeito sobre a mesa foi imediato. Todos ficaram completamente imóveis, como se continuar se movendo fosse confessar culpa. Nós nos olhamos, tentando descobrir com quem Gideon estava falando e o que ele já sabia que nós não sabíamos.
Como possivelmente a única pessoa à mesa que já tinha confessado seus segredos sombrios a Gideon recentemente, fui a única que continuou bebendo minha limonada enquanto meus olhos se deslocavam de modo significativo para Dierdra.
Se já houve uma loba mais culpada, eu ainda não a conheci, mas, embora Dierdra tenha ficado ligeiramente pálida, fez uma imitação aceitável de inocência, e admito que fiquei um pouco impressionada.
Gideon me assustava pra caramba, e eu nem tinha feito nada que justificasse sua ira. Quanto mais aterrorizante devia ser para alguém como Dierdra, que estava ativamente conspirando com o inimigo e fingindo ser a companheira e futura mãe obediente?
Curiosamente, a família de Gideon também não parecia exatamente estar com a consciência limpa. Havia bastante pigarreio e movimentos nervosos vindos de seus pais e de sua irmã também.
Talvez eles não gostassem particularmente de ser lembrados de quem estava no comando.
Ainda assim, ninguém falou. Nenhuma confissão sombria foi derramada sobre a mesa.
Como se aquilo fosse exatamente o que esperava, Gideon abriu um sorriso sem humor e disse:
— Esta é a única chance de misericórdia de vocês.
Não parecia se dirigir a ninguém em particular, embora seus olhos percorressem a mesa enquanto falava.
— Se eu descobrir que alguém mentiu para mim e escolheu não confessar, então saibam disto...
— Eu vou destruir vocês.
Ele disse as palavras com aquele mesmo sorriso que não alcançava os olhos. Eu sabia que deveria sentir um arrepio de medo, e de fato senti um formigamento na espinha quando seus olhos pousaram em mim, mas o calor que floresceu dentro de mim sob seu olhar era qualquer coisa menos medo.
Por que meu corpo precisava reagir desse jeito, AGORA?
Corei e encarei a mesa, lembrando-me de como ele quase tinha me beijado no jardim.

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