Ponto de vista de Avery
Minha pequena vitória durou exatas oito horas. Depois disso, Gideon voltou a seguir meus passos como uma sombra. Imaginei que ele tivesse tido tempo de descansar, tomar banho e, logo em seguida, viesse me procurar.
— O que você está fazendo? — Perguntei quando ele se ajoelhou ao meu lado, na terra do jardim, e começou a arrancar as ervas daninhas que eu estava puxando.
Os olhos dele deslizaram na minha direção.
— Isso é importante para você, não é?
— Sim? — Respondi, irritada.
— Então vou ajudá-la com isso. — Disse, simples assim.
Encarei-o. Aquilo era algum tipo de jogo novo? Ficar grudado em mim o tempo todo?
— Você nem sabe o que está fazendo. — Disparei. — Isso não é erva daninha. É uma cenoura que você acabou de arrancar!
— Então me ensine. — Gideon respondeu com a mesma simplicidade. — Se é importante para você, eu quero conhecer.
— Não.
— Não?
— Não! Não sei o que você está aprontando, mas pare com isso. — Resmunguei, levantando-me.
Se ele queria aprender o que eu fazia o dia inteiro, então estava prestes a descobrir como se revirava composto e se distribuía fertilizante. O fertilizante de peixe fedia horrivelmente, e o rosto de Gideon se contraiu quando o despejei com cuidado no regador.
— Você pode ir embora a qualquer momento. — Falei, empinada.
— Quero ficar perto de você. Você é minha companheira. — Gideon disse com um sorriso de canto e tomou o regador da minha mão.
— Então vai abandonar seus deveres de Alfa e passar o tempo me seguindo por aí? — Perguntei, exasperada.
— Sim. — Ele sorriu, completamente imperturbável.
Saiu marchando na direção dos tomates, e fiquei olhando atrás dele com uma ruga entre as sobrancelhas.
Homem insuportável.
Os músculos largos dele se moveram sob a roupa quando levantou o regador pesado e despejou tudo sobre as folhas.
— Ei! Aí não! — Gritei. — É embaixo das folhas, nas raízes! Argh!

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