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A Luna Amada do Alfa Sem Coração romance Capítulo 242

Ponto de vista de Avery

A partir dali, evitar virou o nome do jogo.

Não evitar Gideon. Nem Camila.

Evitar a mim mesma. Evitar aquele monólogo interno que insistia em dizer que talvez eu estivesse fazendo a escolha errada. Eu não queria considerar essa possibilidade.

Não queria pensar que o único plano que eu tinha talvez fosse inútil.

Que eu talvez fosse inútil.

Os últimos meses da minha vida tinham sido conduzidos pelas decisões de outras pessoas. E, quando eu parava para pensar por que continuava tentando ir embora, a resposta ficava bem diante de mim: talvez fosse o único controle que ainda restava na minha vida.

Meus deveres de Luna eram delimitados. Meus deveres de esposa inexistiam, enquanto Gideon e eu continuássemos em pé de guerra.

Não que ele estivesse sendo hostil comigo. Era mais como se estivesse em guarda.

Eu sentia o desejo dele queimando baixo pelo nosso vínculo e, quando ele dormia à noite, aquilo se intensificava, mantendo-me acordada com ecos de seu desespero.

Por mim.

Mas eu tinha sido posse de alguém por tanto tempo. Tudo que conseguia pensar era que esses homens tinham me desejado primeiro por eu ser descartável, depois por eu ser indispensável. E, em qualquer ponta desse espectro, eu continuava sendo um brinquedo nos jogos de poder deles.

Meu filho viria ao mundo como um bebê indefeso, apenas mais um peão nas mãos daqueles que tentariam controlar, usar e dominar sua vida? Sabendo que o Rei dos Renegados já acreditava que qualquer filho meu estaria destinado a ser poderoso, eu sabia que ele não nos deixaria viver uma vida simples.

Não enquanto continuasse vivo.

Eu amava aquela criança, mesmo antes de senti-la. Amava e odiava o modo como ela ameaçava virar minha vida do avesso por completo. Eu tinha achado que o caminho à minha frente parecia simples, ainda que difícil. Agora parecia impossível.

Passei todo o meu tempo trabalhando nas tarefas que Gideon havia me dado, tentando fugir dos meus próprios pensamentos. A loba dentro de mim tornava isso impossível. Ela era forte, opinativa e tinha absoluta certeza de que eu estava fazendo besteira.

“Você está com medo”, ela me disse em uma tarde, enquanto eu andava de um lado para o outro pela casa da alcateia tentando me distrair. “E nunca é bom correr quando se está com medo. É assim que coelhos são pegos.”

“Eu não sou um coelho”, respondi, irritada. “Sou uma loba.”

“Então mostre as presas e destrua quem se opõe a você”, ela insistiu. “Isso fará mais pelo nosso filhote do que esse pânico todo.”

Rosnei baixo. Minha loba sempre reduzia tudo às dinâmicas simples de caçador e presa, mas aquele era o mundo dela, não o meu. O meu era mais complexo, e seus perigos eram menos óbvios, mas nem por isso doíam menos.

Eu não estava prestando atenção por onde andava. Então ergui a cabeça e percebi onde estava.

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