— Claro que não está. — Gideon disse, num tom que deixava implícito que não se surpreendia nem um pouco com a minha tentativa de inventar um truque daqueles.
Que se danasse.
Meu enjoo vinha e ia em ondas, e eu sentia como se as ostras que tínhamos comido no jantar estivessem prestes a voltar. Além disso, eu precisava fingir que bebia o champanhe, e o gosto azedo nos meus lábios estava revirando meu estômago.
— Mulheres... Adoram joguinhos, não é? — Gideon disse com uma risada fria, os olhos fixos em mim, parada na porta.
— O Alfa deve saber bem. — Respondi em um tom doce e maldoso. — Eu não sabia nada sobre esse tipo de jogo até chegar a Nightwolf, mas parece ser algo bem comum entre as mulheres daqui...
Os olhos dele ficaram duros como pedra quando segurou meu braço e praticamente me arrastou para o corredor.
— Você conseguiu minha atenção com seus jogos. — Disse, quando já estávamos fora da vista dos convidados da soirée. — Então o que pretende fazer com ela?
— Nada, Gideon. Eu não quero nada de você. — Respondi, encarando-o.
— Não? Então não se importa se eu for acender isto com alguma debutante adorável lá dentro? — Ele exibiu sua vela, agora apagada. — Talvez eu encontre uma que ainda não tenha aprendido a fazer joguinhos cruéis.
— Se todas as mulheres ao seu redor fazem isso, talvez você seja o denominador comum. — Sugeri.
— Talvez. Embora elas não pareçam reclamar tanto. — Ele rosnou, dando um passo à frente para me prender contra a parede. — Talvez eu veja se Jessica tem a noite livre, se você preferir ficar em casa.
As palavras dele doeram, e desviei o rosto quando lágrimas começaram a arder nos meus olhos.
— Não é isso que você quer? — Gideon perguntou baixinho, observando-me com atenção. — Eu lhe ofereci honestidade, e você recusou. Prefere brincar com esses jogos idiotas? Eles realmente são mais satisfatórios?
— Pare. — Sussurrei, enquanto meu coração latejava dolorosamente no peito. — Eu não estou tentando machucar você de propósito.
— Não. Sua negligência já faz isso muito bem sozinha. — Ele disparou.
— Se está tão feliz em correr atrás das moças disponíveis, talvez todo aquele seu discurso sobre companheiros verdadeiros não tenha sido tão convincente quanto você imaginava. — Falei, fungando.
— Talvez não. — Ele respondeu. — Eu certamente não achei que minha verdadeira companheira me trataria assim.
Envergonhada, virei o rosto e me recusei a olhar para ele.
— Faça o que quiser. — Falei baixinho. — Não tenho direito de pedir mais.


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