— Vou levar minha Luna agora. — Falei a Julien, que baixou os olhos em submissão imediatamente.
Enlacei minha mão no cotovelo de Avery e a conduzi até um canto vazio do bar.
— Você não tem outros deveres para cumprir? — Rosnei para o rosto confuso dela.
— E você não tem? — Ela balançou a cabeça. — Eu deveria estar supervisionando o evento, e Julien está responsável pela segurança. Estávamos discutindo como garantir que todas essas garotas voltem para casa em segurança hoje à noite. As que não quiserem ir embora com ninguém, quero dizer.
Pisquei, surpreso. De fato, não tinha me ocorrido que ela não estava apenas tentando fazer joguinhos, e eu havia presumido que estivesse flertando com Julien para me provocar ciúmes.
— Então você não estava... Tentando dar em cima dele? — Odiei o quanto aquela pergunta me fez soar inseguro.
— Não! — Avery respondeu, ríspida. — Essa pode ter sido a sua intenção, mas não era a minha! E nem pense que eu não notei você, cercado de mulheres!
O rosto bonito dela estava com duas manchas vermelhas nas bochechas, por causa da irritação e do álcool. Apesar da minha própria raiva, não consegui impedir o afeto de fluir dentro de mim ao olhá-la.
O canto onde estávamos era mal iluminado. Havia uma banda tocando ao vivo no outro extremo do bar, e a batida pesada do bumbo fazia os copos tilintarem e vibrarem. Aquilo me dava a sensação de que meu coração batia pelo corpo inteiro enquanto Avery e eu nos encarávamos, ambos com mágoa nos olhos.
Eu odiava aquela confusão que continuava surgindo entre nós. Eu sentia nosso vínculo, o modo como nossas almas lupinas chamavam uma pela outra.
— Deixe-me mostrar meus verdadeiros sentimentos. — Falei, rouco.
Então me inclinei e a beijei com firmeza.
Ela soltou um pequeno som suave contra minha boca e, em seguida, retribuiu o beijo com entusiasmo. Sua língua macia e seus lábios doces foram a melhor coisa que provei o dia inteiro. Minha palma deslizou por sua mandíbula, inclinando sua cabeça para trás.
Havia tantas coisas que eu queria dizer, e disse todas com meu corpo. Que ela era minha. Que eu odiava até mesmo a ideia de dividi-la com qualquer outra pessoa. Que vê-la e saber que ela não me queria de volta estava me matando.

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