Ponto de vista de Avery
Meu coração se despedaçou.
Tentei segurar os pedaços. Tentei dizer a mim mesma que Asher estava mentindo, que Gideon não tinha estado bem ali, naquele mesmo acampamento, na noite anterior. Tentei dizer a mim mesma que aquilo não era verdade. Gideon não teria vindo por Dierdra. Ele não teria simplesmente... Me deixado ali.
Ainda assim, por mais forte que eu apertasse os punhos ao redor daqueles cacos, alguns escaparam.
Gideon tinha me deixado ali?
Por Dierdra?
Não. Eu me recusava a acreditar. Asher estava mentindo. Estava tentando entrar na minha cabeça. Gideon não tinha estado ali. Eu teria sentido sua presença, não teria?
Não teria?
Na manhã seguinte, eu me sentia um pouco melhor. Tinha conseguido comer um pouco e recuperado parte da minha força. Minha determinação havia endurecido. Eu precisava sair dali. Rápido.
Vesti-me assim que pude e saí da tenda, onde um guarda vigiava. Era um macho alto e musculoso, de pele bronzeada e barba longa e escura. Havia uma cicatriz cortando a ponte do nariz, claramente mal cicatrizada havia muito tempo.
— Gostaria de dar uma volta. — Falei, reunindo coragem.
Não esperei resposta antes de começar a me afastar.
O guarda grunhiu algo em resposta e me seguiu enquanto eu caminhava pelo acampamento. Percorri o lugar inteiro outra vez, garantindo que meu mapa mental estivesse perfeito. Depois comecei a estudar os detalhes menores: a localização de pontos marcantes, como uma tenda com bordado azul ao redor da entrada e uma pilha de caixotes.
— Você gosta daqui? — Perguntei, olhando para o guarda.
Eu esperava tentar fazer amizade com ele. Talvez pudesse me dar alguma informação, como os horários de troca das patrulhas.
Ele não respondeu. Nem sequer olhou para mim.
— Você me ouviu?
— Ouvi. — Murmurou.
— Só não vai responder?
— Não.
Apertei os lábios e continuei andando. Bem, aquilo tinha dado errado. Mas eu meio que já imaginava que aconteceria.
Eu passava pelo cercado onde ficavam as cabras quando a notei. Havia uma garota caminhando pelo cercado, vestida com as mesmas correntes de prata e os mesmos trapos das outras escravas. Parecia jovem e carregava um balde em cada mão, lutando contra o peso. Um estava cheio de água; o outro, de grãos para as cabras.

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