Observei enquanto ela se colocava de pé às pressas e saía correndo, presumivelmente na direção de um banheiro.
Como eu tinha demorado tanto para perceber o quão péssima atriz ela era?
Suspirei, esfregando as mãos pelo rosto. O tempo era essencial, mas eu teria que ser mais cuidadoso se quisesse arrancar alguma informação dela. Talvez à noite, durante o jantar, eu conseguisse fazê-la beber. Talvez o vinho soltasse sua língua.
— Gideon?
Ergui os olhos ao som da voz da mãe de Avery. Ela atravessava o gramado mancando, apoiada na bengala. Havia um pedaço de papel em suas mãos.
— Isto acabou de chegar. — Disse, erguendo-o.
Ela parecia perturbada.
— Estava endereçado a mim. De... Avery.
Levantei-me de uma vez.
— Posso ver?
Ela assentiu e me entregou. Passei os olhos pelo conteúdo.
“Querida mãe”, dizia a carta, “sou eu. Avery. Sei que você tem se preocupado comigo, mas quero que saiba que estou bem. Estou vivendo com meu verdadeiro companheiro agora. Ele diz que sou uma princesa, e que vai me fazer rainha. Quando nos casarmos, terei muitos filhotinhos, e serei toda dele. Corpo, mente e alma. Mas sinto sua falta. Por favor, venha ficar comigo. Podemos viver juntas, em paz, como conversamos. Se quiser me ver, coloque uma vela na sua janela à meia-noite, na noite anterior à Lua Negra. Certifique-se de que seja a janela voltada para o leste. Caso contrário, eu não vou vê-la. Com amor, Avery.”
Meu coração se partiu. Encarei a carta, depois a mãe de Avery. Era a letra de Avery. Eu a reconheceria em qualquer lugar.
Ela realmente achava que agora estava feliz com o Rei dos Renegados?
...
Ponto de vista de Asher
— Senhor?
Ergui os olhos da mesa e encontrei uma escrava parada na entrada da minha tenda, com as mãos unidas. Estava coberta de terra e cheirava a cabras, mas seus olhos brilhavam de empolgação.

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