Como se tivesse sido chamada, uma voz familiar chamou baixinho:
— Gideon?
Enfiei rapidamente a carta no bolso, amassando-a, antes que Dierdra pudesse vê-la. Quando me virei, encontrei-a parada sob uma árvore próxima, com a mão apoiada na casca. Ela balançava levemente, e a mão livre segurava o estômago.
— O que foi? — Perguntei.
Eu queria exigir informações, mas me forcei a permanecer calmo. Se havia uma coisa que eu sabia sobre Dierdra, era que ela sabia o que estava fazendo. Não entregaria informações por vontade própria. Eu teria que jogar o jogo dela se quisesse descobrir onde Avery estava.
— Eu... Não estou me sentindo bem.
Ela cambaleou, e dei um passo à frente por instinto para segurá-la. Dierdra se inclinou contra mim e despencou sobre meu peito.
— É o Rei dos Renegados. O que ele fez comigo. Acho... Acho que causou algum tipo de dano interno.
Olhei para ela. Dierdra ergueu o rosto para mim com olhos arregalados e úmidos. Lágrimas escorriam por suas bochechas, e o lábio inferior tremia.
Ela estava mentindo.
Eu sabia. Da mesma forma que sabia que vinha mentindo descaradamente desde que a encontrei na floresta.
Ou melhor, desde que ela me encontrou.
Minha mandíbula se apertou, mas, mais uma vez, me forcei a entrar no jogo. Se ela achasse que eu acreditava, talvez cometesse algum deslize e revelasse algo útil.
— Precisamos levar você a um médico. — Falei.
Passei o braço ao redor da cintura dela e a guiei em direção à porta.
— Agora.
— Não, eu...
Dierdra tentou se afastar.
— Não preciso de médico. Só preciso descansar.
— Você acabou de dizer que acha que há dano interno.
Apertei a mão em sua cintura, recusando-me a soltá-la.
— Isso é sério, Dierdra. Não podemos ignorar.
— Mas...

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