— O que você vai fazer?
Abri os dedos sobre a terra, afastando o mindinho dos outros.
— Vou cortar meu dedo.
Minha mãe empalideceu.
— O quê? Não. Avery, você não pode fazer isso!
— Por favor, confie em mim.
Engoli o nó na garganta e posicionei a faca sobre o mindinho. Se conseguisse fazer de uma vez só, acabaria rápido. Os ossos daquele dedo eram pequenos e delicados.
Eu só precisava ter coragem.
— Se eu deixar uma parte de mim para trás, Gideon vai pensar que fui atacada por animais selvagens. Que eles me arrastaram e me devoraram. Ele não vai procurar por um cadáver.
Minha mãe tentou se levantar depressa, mas desabou imediatamente, caindo de joelhos.
— Não faça isso! — Implorou. — Avery, isso é loucura!
— Eu posso curar.
Encontrei os olhos dela.
— Eu curei os ferimentos de Gideon antes. Posso curar isso também.
Minha mãe me encarou. Lágrimas escorriam por seu rosto.
— Avery, você não pode...
Não dei a ela a chance de terminar.
Respirei fundo, tentando me firmar.
Faça logo, pensei.
Rápido.
Como arrancar um curativo.
Soltei o ar no mesmo instante em que abaixei a faca.
A dor foi diferente de tudo que eu já tinha sentido.
Mordi o lábio para não gritar.
A lâmina atingiu o osso.
Sangue se derramou sobre a terra, formando uma poça ao redor da minha mão.
Minha visão ficou branca.
Achei que fosse desmaiar.
Mas o dedo se soltou.
Arquejei e puxei a mão para junto do peito, protegendo-a.
Havia sangue por toda parte.
O dedo decepado estava caído no chão, pálido e sem vida.
Minha mãe apareceu ao meu lado no mesmo instante.
— Ah, Avery... Meu amor...
Eu não conseguia falar.
A dor era forte demais.
Mas me obriguei a me concentrar.
Eu precisava curar aquilo.

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